Incidência e Mortalidade por Câncer em Adultos Jovens em Duas Regiões do Estado de São Paulo
Cancer Incidence and Mortality in Young Adults in Two Regions of São Paulo State
Incidencia y Mortalidad por Cáncer en Adultos Jóvenes en Dos Regiones del Estado de São Paulo
https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2026v72n1.5418
Renata dos Santos Nascimento1; Maria do Rosário Dias de Oliveira Latorre2; Adeylson Guimarães Ribeiro3; Diego Rodrigues Mendonça e Silva4; Allini Mafra da Costa5; José Humberto Tavares Guerreiro Fregnani6
1Universidade de São Paulo (USP), Faculdade de Saúde Pública, Registro de Câncer de Base Populacional de São Paulo. São Paulo (SP), Brasil. E-mail: renata_nascimento@usp.br. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0001-9370-1110
2USP, Faculdade de Saúde Pública, Departamento de Epidemiologia, Registro de Câncer de Base Populacional de São Paulo. São Paulo (SP), Brasil. E-mail: mdrddola@usp.br. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0002-5189-3457
3Hospital de Câncer de Barretos, Instituto de Ensino e Pesquisa. Barretos (SP), Brasil. Fundação Oncocentro de São Paulo (Fosp). São Paulo (SP), Brasil. E-mail: adeylsonribeiro@gmail.com. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0001-8447-8463
4A. C. Camargo Cancer Center. São Paulo (SP), Brasil. E-mail: diego.rodrigues@accamargo.org.br. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0001-8469-8415
5Hospital de Câncer de Barretos, Instituto de Ensino e Pesquisa. Barretos (SP), Brasil. E-mail: mafra.allini@gmail.com. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0002-2993-7919
6Hospital de Câncer de Barretos, Instituto de Ensino e Pesquisa. Barretos (SP), Brasil. A. C. Camargo Cancer Center. São Paulo (SP), Brasil. E-mail: jose.fregnani@accamargo.org.br. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0002-5235-6469
RESUMO
Introdução: O câncer em adultos jovens é incomum e tem comportamento mais agressivo. Há evidências de aumento da incidência e mortalidade por algumas topografias. Objetivo: Avaliar a incidência (2002 a 2018) e a mortalidade (2000 a 2020) das principais neoplasias em adultos jovens (20 a 39 anos) residentes em duas localidades do Estado de São Paulo: município de São Paulo e Região de Barretos. Método: Os dados de incidência foram obtidos nos Registros de Câncer de Base Populacional de São Paulo e Barretos. Os óbitos e os dados de população foram obtidos no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Para fins de contextualização do câncer, foi realizada a análise das principais causas de morte em adultos jovens. Sequencialmente, foram calculados os coeficientes brutos de incidência e mortalidade por câncer e sua tendência pela variação percentual anual (APC). Resultados: A distribuição por causa de morte por câncer foi semelhante para as duas localidades, sendo, para o sexo masculino, os tipos mais frequentes, as leucemias, sistema nervoso e colorretal, enquanto, no sexo feminino, o câncer de mama, colo do útero e colorretal. Conclusão: Há uma tendência de aumento de alguns tipos de câncer em adultos jovens, com destaque para câncer de mama, colo do útero e colorretal.
Palavras-chave: Adulto Jovem; Adulto; Incidência; Mortalidade/tendências; Neoplasias/mortalidade.
ABSTRACT
Introduction: Cancer in young adults is uncommon and tends to be more aggressive. There is evidence of an increase in incidence and mortality for some types of cancer. Objective: To assess the incidence (2002-2018) and mortality (2000-2020) of the main cancers in young adults (20-39 years old) residing in two areas of the State of São Paulo: the municipality of São Paulo and the Barretos region. Method: Incidence data were obtained from the Population-Based Cancer Registries of São Paulo and Barretos. Deaths and population data were obtained from the Department of Informatics of the National Health System (DATASUS). To contextualize cancer, an analysis of the leading causes of death in young adults was performed. Subsequently, crude incidence and mortality rates for cancer were calculated, along with their trends through annual percentage change (APC). Results: The distribution of causes of cancer-related deaths was similar for both regions. In males, the most frequent types were leukemia, nervous system cancers, and colorectal cancer, while in females, the most common were breast cancer, cervical cancer, and colorectal cancer. Conclusion: There is a trend of increasing rates for some types of cancer in young adults, particularly breast cancer, cervical cancer, and colorectal cancer.
Key words: Young Adult; Adult; Incidence; Mortality/trends; Neoplasms/mortality.
RESUMEN
Introducción: El cáncer en adultos jóvenes es poco común y presenta un comportamiento más agresivo. Existen evidencias de un aumento en la incidencia y mortalidad de algunas localizaciones tumorales. Objetivo: Evaluar la incidencia (2002 a 2018) y la mortalidad (2000 a 2020) de los principales tipos de neoplasias en adultos jóvenes (20 a 39 años) residentes en dos localidades del estado de São Paulo: el municipio de São Paulo y la región de Barretos. Método: Los datos de incidencia se obtuvieron de los Registros de Cáncer de Base Poblacional de São Paulo y Barretos. Los datos de defunciones y población fueron obtenidos del Departamento de Informática del Sistema Único de Salud (DATASUS). Para contextualizar el cáncer, se realizó un análisis de las principales causas de muerte en adultos jóvenes. Posteriormente, se calcularon las tasas brutas de incidencia y mortalidad por cáncer y su tendencia mediante la variación porcentual anual (APC). Resultados: La distribución por causa de muerte por cáncer fue similar en ambas localidades. En el sexo masculino, los tipos más frecuentes fueron las leucemias, los tumores del sistema nervioso y colorrectales; mientras que en el sexo femenino fueron el cáncer de mama, cuello uterino y colorrectal. Conclusión: Existe una tendencia creciente en algunos tipos de cáncer en adultos jóvenes, destacándose el cáncer de mama, cuello uterino y colorrectal.
Palabras clave: Adulto Joven; Adulto; Incidencia; Mortalidad/tendencias; Neoplasias/mortalidade.
O câncer está entre as quatro principais causas de morte prematura (antes dos 70 anos de idade) na maioria dos países1. A incidência e a mortalidade por neoplasias vêm se expandindo no mundo, tanto pelo envelhecimento e crescimento demográfico, bem como pela mudança no arranjo e na prevalência dos fatores de risco do câncer, principalmente os relacionados às questões socioeconômicas e de estilo de vida. Observa-se a modificação dos principais tipos de câncer nos países em desenvolvimento, com a redução dos tipos de neoplasias referentes a infecções e ao crescimento daqueles associados à melhoria das condições socioeconômicas com a inclusão de hábitos e comportamentos relacionados à urbanização, por exemplo, sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados e a falta de atividade física2. Portanto, com a diminuição do impacto das infecções transmissíveis, as doenças cardiovasculares e o câncer tornaram-se as duas causas mais comuns de mortalidade em todo o mundo. Em 2022, o número de novos casos e mortes por câncer foi estimado em 20 milhões e 9,7 milhões, respectivamente, enquanto, nesse mesmo ano, o número de novos casos de câncer em adultos jovens em todo o mundo foi estimado em aproximadamente 1,2 milhão3.
Entretanto, o câncer em adultos tem atingido cada vez mais indivíduos na faixa etária dos 20 aos 39 anos. Não há, na literatura, definição clara da idade do grupo de pacientes que abrange os adultos jovens. ‘‘Adulto jovem’’ é usado para fazer referência às pessoas acima de 20 anos4. Em uma análise de 6.425 pacientes de 55 publicações, O'Connell et al.5 descobriram 37 manuscritos que consideraram jovens aqueles com menos de 40 anos de idade, enquanto 14 (25%) e 4 (7%) estabeleceram como jovens aqueles abaixo de 30 ou 35 anos, respectivamente. A justificativa para esse segmento etário baseou-se na maturidade biológica e fisiológica de pacientes com menos de 40 anos. No entanto, deve-se ter cautela, pois qualquer faixa etária pré-definida para adultos jovens é arbitrária e serve apenas para consenso, simplicidade e comparação de dados3.
As causas da neoplasia em adultos jovens são o resultado da interação entre a predisposição hereditária ou constitucional ao câncer, processos mutacionais de progressão endógenos e exposição a fatores que os regulam, incluindo os fatores mutagênicos ambientais (radiações ultravioletas, raios X, substâncias químicas, agentes poluidores) e patógenos oncogênicos. Embora os estudos originais de predisposição ao câncer hereditário tenham identificado tais mutações em indivíduos com histórico familiar conhecido, mutações germinativas em indivíduos sem histórico familiar também foram identificadas, aceleradas pelos recentes avanços no sequenciamento do genoma. Atualmente, estima-se que até 10% dos adultos com câncer aparentemente esporádico envolvem uma mutação genética predisponente hereditária ou constitucional subjacente6,7. Porém, essa não é a única explicação, uma vez que esse grupo não é visto como prioritário e, consequentemente, tem piores chances de diagnóstico e tratamento em tempo oportuno, segundo o estudo do Instituto Nacional de Câncer8. Na sua 58ª Assembleia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) conclamou os Estados-Membros a incluírem mais medidas de prevenção e detecção precoce, assim como a melhorarem o tratamento e os cuidados paliativos em oncologia9,10.
Neste contexto, esse estudo teve por objetivo avaliar a incidência e mortalidade por câncer em adultos jovens, e sua tendência ao longo do tempo, em duas Regiões distintas do Estado de São Paulo, o município de São Paulo (MSP), e a Região de Barretos.
Este é um estudo ecológico de séries temporais que analisou duas Regiões com características diversas (Figura 1). Uma se refere ao MSP, capital do estado, com área total de 1.521,202 km², que apresenta grande densidade populacional, tendo sido estimado 12.396.372 habitantes em 2021, grande diversidade socioeconômica e com sua economia voltada ao setor de serviços11. A outra é a Região de Barretos, oficialmente chamada de Departamento Regional de Saúde de Barretos. É uma Região composta por 18 municípios (Altair, Barretos, Bebedouro, Cajobi, Colina, Colômbia, Guaíra, Guaraci, Jaborandi, Monte Azul Paulista, Olímpia, Severínia, Taiaçu, Taiúva, Taquaral, Terra Roxa, Viradouro e Vista Alegre do Alto), com uma população estimada de 123.546 habitantes em 2021 e uma área total de 1.566,161 km²12. A agricultura, o comércio e a prestação de serviço são a base da economia dessa Região.

Figura 1. Localização geográfica do Município de São Paulo e Região de Barretos
Os dados de população, para o meio do ano e para o cálculo dos coeficientes, foram obtidos pelo site do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) que oferece os dados dos censos e as estimativas intercensitárias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)13. Os casos de câncer em adultos jovens (20 a 39 anos), no período de 2002 a 2018, foram obtidos nas bases de dados do Registro de Câncer de Base Populacional (RCBP) de São Paulo14 e Barretos15. Em relação ao RCBP de Barretos, como procedimento padrão, toda a base de incidência passa por um processo de checagem para verificação da procedência dos casos, sendo excluídos aqueles confirmados como não residentes nos 18 municípios que compõem sua área de abrangência. Um procedimento semelhante é adotado pelo RCBP de São Paulo, cuja base integra dados provenientes de uma variedade maior de fontes notificadoras – entre elas, clínicas médicas, laboratórios, hospitais privados, estaduais e federais –, coletados de forma direta ou indireta. Os óbitos em adultos jovens (20 a 39 anos), no período de 2000 a 2020, em residentes no MSP e na Região de Barretos foram obtidos no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do DATASUS16.
Primeiramente, foram investigadas as principais causas de morte em adultos jovens para as duas localidades, tendo como referência a 10ª revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e problemas relacionados à saúde (CID-10)17. A categorização dos casos de câncer em adultos jovens também seguiu a CID-10, padrão adotado nas bases oficiais de dados de incidência e mortalidade no Brasil. Essa opção assegura a comparabilidade com estatísticas nacionais e internacionais e mantém a consistência entre as fontes de dados utilizadas, ainda que outras classificações, como a Classificação Internacional de Câncer em Adolescentes e Adultos Jovens (CAAJ), possam oferecer maior detalhamento morfológico em análises específicas por faixa etária. Sequencialmente, foram calculados os Coeficientes Brutos de Incidência e os Coeficientes Brutos de Mortalidade, dividindo-se o número de casos novos de câncer ou o número de óbitos pela respectiva população de 1º de julho, multiplicando-se esse quociente por 100 mil. Na análise das tendências dos coeficientes, foram construídos diagramas de dispersão entre os coeficientes de incidência e de mortalidade e os anos do estudo, para a visualização da função expressada entre eles. A partir dessa observação, foi calculada a variação percentual anual (APC – do inglês, Annual Percent Change), utilizando o software Joinpoint18. Nessa análise, o software decompõe a trajetória de Y (neste estudo, são os coeficientes de incidência ou de mortalidade) em retas e, para cada uma delas, o incremento é calculado, baseado na distribuição de Poisson. Pode-se trabalhar com as estimativas para cada reta e/ou com a média ponderada das tendências. Neste trabalho, optou-se por descrever cada uma das tendências, sem o cálculo da média ponderada, mostrando a variação percentual ao ano (%aa). Para a Região de Barretos, a análise da tendência da mortalidade foi feita apenas para o câncer de mama em razão do pequeno número de óbitos para as outras topografias.
Este é um estudo ecológico, cujas informações são provenientes de bases de dados secundárias, sem identificação dos indivíduos, não envolvendo entrevistas, questionários ou outro tipo de relacionamento com os seres humanos. Ou seja, a pesquisa foi isenta de submissão pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP)19,20.
Na Figura 2, tem-se os óbitos por neoplasias, por CID-10, em adultos jovens no MSP (A-homens; B-mulheres) e na Região de Barretos (C-homens; D-mulheres), de 2000 a 2020 em números absolutos. Em ambas as Regiões, a primeira posição é ocupada pelo câncer de mama entre as mulheres e pela leucemia entre os homens. No MSP, sequencialmente, tem-se o câncer do colo do útero e leucemia ocupando a segunda e terceira posição entre as mulheres, com o câncer do sistema nervoso e colorretal ocupando essas posições entre os homens, respectivamente. Na Região de Barretos, o câncer do sistema nervoso e colorretal aparecem na segunda e terceira posições entre as mulheres, com uma inversão dessas posições entre os homens.

Figura 2. Óbitos por neoplasias em adultos jovens no município de São Paulo (A-homens; B-mulheres) e na Região de Barretos (C-homens; D-mulheres), de 2000 a 2020
Na Tabela 116, há a descrição das causas de morte (capítulo de CID-10) para o MSP e para a Região de Barretos. Observa-se que, no período de 2000 a 2020, as causas externas foram responsáveis por 60.926 (47,3%) óbitos em São Paulo, seguidas das doenças do aparelho circulatório (14.236 óbitos – 11,1%) e neoplasias (11.862 óbitos – 9,2%). No sexo masculino, 56,9% dos óbitos são por causas externas, com as neoplasias ocupando a 4ª colocação (5,3%). Essas causas externas são decorrentes, principalmente, de agressões (homicídios) e acidentes de transporte. Enquanto no sexo feminino, as neoplasias ocupam o 1º lugar entre as causas de morte (20,7%), seguidas das causas externas (19,1%).
Tabela 1. Número e porcentagem de óbitos, segundo sexo e capítulo de CID-10, entre pessoas de 20-39 anos no município de São Paulo e na Região de Barretos, 2000-2020
|
Capítulo CID-10 |
São Paulo |
Região de Barretos |
||||||
|
Homens |
Mulheres |
Homens |
Mulheres |
|||||
|
Óbitos |
% |
Óbitos |
% |
Óbitos |
% |
Óbitos |
% |
|
|
I. Algumas Doenças Infecciosas e Parasitárias |
8.005 |
8,3 |
3.817 |
11,7 |
368 |
11,7 |
171 |
13,6 |
|
Ii. Neoplasias (Tumores) |
5.132 |
5,3 |
6.730 |
20,7 |
183 |
5,8 |
219 |
17,4 |
|
Iii. Doenças do Sangue e dos Órgãos Hematopoiéticos e Alguns Transtornos Imunitários |
336 |
0,3 |
270 |
0,8 |
16 |
0,5 |
7 |
0,6 |
|
Iv. Doenças Endócrinas, Nutricionais e Metabólicas |
1.023 |
1,1 |
907 |
2,8 |
55 |
1,7 |
51 |
4,0 |
|
V. Transtornos Mentais e Comportamentais |
1.047 |
1,1 |
151 |
0,5 |
70 |
2,2 |
11 |
0,9 |
|
Vi. Doenças do Sistema Nervoso |
1.798 |
1,9 |
1.046 |
3,2 |
64 |
2,0 |
45 |
3,6 |
|
Viii. Doenças do Ouvido e da Apófise Mastoide |
13 |
0,0 |
8 |
0,0 |
1 |
0,0 |
0 |
0,0 |
|
Ix. Doenças do Aparelho Circulatório |
9.094 |
9,5 |
5.142 |
15,8 |
243 |
7,7 |
174 |
13,8 |
|
X. Doenças do Aparelho Respiratório |
4.721 |
4,9 |
2.444 |
7,5 |
136 |
4,3 |
80 |
6,3 |
|
Xi. Doenças do Aparelho Digestivo |
4.332 |
4,5 |
1.383 |
4,3 |
177 |
5,6 |
67 |
5,3 |
|
Xii. Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo |
106 |
0,1 |
74 |
0,2 |
2 |
0,1 |
3 |
0,2 |
|
Xiii. Doenças do Sistema Osteomuscular e do Tecido Conjuntivo |
172 |
0,2 |
515 |
1,6 |
9 |
0,3 |
14 |
1,1 |
|
Xiv. Doenças do Aparelho Geniturinário |
502 |
0,5 |
612 |
1,9 |
24 |
0,8 |
24 |
1,9 |
|
Xv. Gravidez, Parto e Puerpério |
0 |
0,0 |
1.396 |
4,3 |
0 |
0,0 |
39 |
3,1 |
|
Xvii. Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas |
278 |
0,3 |
247 |
0,8 |
8 |
0,3 |
8 |
0,6 |
|
Xviii. Sintomas, Sinais e Achados Anormais dos Exames Clínicos e de Laboratório Não Classificados em Outra Parte |
4.918 |
5,1 |
1.556 |
4,8 |
241 |
7,6 |
84 |
6,7 |
|
Xx. Causas Externas de Morbidade e Mortalidade |
54.734 |
56,9 |
6.192 |
19,1 |
1.558 |
49,4 |
264 |
20,9 |
|
TOTAL |
96.220 |
100,0 |
32.495 |
100,0 |
3.155 |
100,0 |
1.261 |
100,0 |
Fonte: Autores com base no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM)16.
A Região de Barretos, assim como o MSP, apresentou número bastante expressivo de óbitos por causas externas: 1.822 óbitos – 41,3%. Na análise segundo sexo, o padrão é muito semelhante para o sexo masculino, que tem como principais causas de morte as causas externas (49,4%), seguidas das doenças infecciosas e parasitárias (11,7%), doenças do aparelho circulatório (7,7%) e, em 4º lugar, as neoplasias (5,8%). No entanto, a principal causa externa nessa Região são os acidentes de transporte (48,5%), seguido das agressões (25,9%). Na Região de Barretos, há um padrão diferente para o sexo feminino, o qual tem como principal causa de morte as causas externas (20,9%), seguido das neoplasias (17,4%). Nas causas externas, também há alta porcentagem de acidentes de transporte (55,9%), seguido de agressões (19,8%) e lesões autoprovocadas voluntariamente (18,6%).
A Tabela 215 mostra a análise da incidência do câncer no período entre 2000 e 2018. No MSP, para o sexo masculino, os mais frequentes são pele não melanoma com 1.478 casos (37,7%), colorretal com 1.066 casos (27,2%) e câncer de estômago com 660 casos (16,8%), enquanto para as mulheres são o colo do útero com 9.019 casos (39,5%) e mama com 8.459 casos (37,1%). Na Região de Barretos, para os homens, os cânceres mais frequentes são o colorretal com 44 casos (31,0%), leucemias com 39 casos (27,5%) e sistema nervoso com 18 casos (12,7%). Já para as mulheres, o padrão é semelhante ao MSP, visto que o câncer do colo do útero com 680 casos novos (67,1%) é o mais frequente, seguido do câncer de mama com 209 casos (20,6%) e câncer de colorretal com 39 casos (3,8%). As análises das tendências de incidência para o sexo masculino no MSP indicam redução para o sistema nervoso (APC=-6,26; p=0,035) e pulmão (-5,09; p=0,002). Para o sexo feminino, houve aumento do câncer de mama (APC=0,5; p<0,001), colorretal (APC=2,3; p=0,034), pele não melanoma (APC=3,9; p=0,020) e pâncreas (APC=5,2; p=0,030), correspondendo às três principais localizações entre os casos novos. Houve decréscimo do sistema nervoso (APC=-11,1; p<0,001). Na Região de Barretos, os cânceres que apresentam aumento significativo/expressivo nas mulheres são o câncer do colo do útero (APC=8,96; p=0,002) e mama (APC=5,91; p=0,004), enquanto o câncer colorretal apresentou declínio (APC=-4,43; p=0,011). Quando se analisa os homens, observa-se tendência de aumento significativo na incidência do câncer do colorretal (APC=5,75, p=0,030).
Tabela 2. Número de casos novos, frequência e variação percentual anual, para 14 tipos de câncer, entre pessoas de 20 a 39 anos no município de São Paulo e na Região de Barretos, 2000-2018
|
|
São Paulo |
|
Região de Barretos |
|
||||||||||||
|
Homens |
Mulheres |
Homens |
Mulheres |
|||||||||||||
|
Casos |
% |
(20-39 anos) |
Casos |
% |
(20-39 anos) |
Casos |
% |
(20-39 anos) |
Casos |
% |
(20-39 anos) |
|||||
|
APC |
p |
APC |
p |
APC |
p |
APC |
p |
|||||||||
|
Todos os cânceres |
3.922 |
100 |
.. |
.. |
22.819 |
100 |
.. |
.. |
142 |
100 |
.. |
.. |
1.013 |
100 |
.. |
.. |
|
(C50) Mama |
.. |
.. |
.. |
.. |
8.459 |
37,1 |
0,5 |
<0,001 |
.. |
.. |
.. |
.. |
209 |
20,6 |
5,91 |
0,004 |
|
(C53) Colo do útero |
.. |
.. |
.. |
.. |
9.019 |
39,5 |
-2,9 |
0,081 |
.. |
.. |
.. |
.. |
680 |
67,1 |
8,96 |
0,002 |
|
(C91-C95) Leucemias |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
39 |
27,5 |
1,62 |
0,442 |
17 |
1,7 |
.. |
.. |
|
(C70-C72) Sistema nervoso |
79 |
2 |
- 6,26 |
0,035 |
81 |
0,4 |
-11,1 |
<0,001 |
18 |
12,7 |
.. |
.. |
20 |
2 |
.. |
.. |
|
(C18-20) Colorretal |
1.066 |
27,2 |
0,16 |
0,866 |
1.262 |
5,5 |
2,3 |
0,034 |
44 |
31 |
5,75 |
0,03 |
39 |
3,8 |
-4,43 |
0,011 |
|
(C16) Estômago |
660 |
16,8 |
-1,21 |
0,277 |
757 |
3,3 |
0,5 |
0,507 |
12 |
8,5 |
.. |
.. |
15 |
1,5 |
.. |
.. |
|
(C56) Ovário |
.. |
.. |
.. |
.. |
967 |
4,2 |
-1,2 |
0,233 |
.. |
.. |
.. |
.. |
20 |
2 |
.. |
.. |
|
(C82-85,96) Linfoma não Hodgkin |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
6 |
4,2 |
.. |
.. |
3 |
0,3 |
.. |
.. |
|
(C33-C34) Pulmão |
344 |
8,8 |
-5,09 |
0,002 |
388 |
1,7 |
-1,2 |
0,357 |
3 |
2,1 |
.. |
.. |
5 |
0,5 |
.. |
.. |
|
(C54) Corpo do útero |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
|
(C22) Fígado |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
2 |
1,4 |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
|
(C00) Lábio/(C10-C14) Faringe |
175 |
4,5 |
-1,8 |
0,294 |
122 |
0,5 |
.. |
.. |
7 |
4,9 |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
|
(C44) Pele não melanoma |
1.478 |
37,7 |
1,9 |
0,233 |
1.576 |
6,9 |
3,9 |
0,02 |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
|
(C25) Pâncreas |
120 |
3,1 |
.. |
.. |
188 |
0,8 |
5,2 |
0,03 |
5 |
3,5 |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
Fonte: Autores com base no Registro de Câncer de Base Populacional de São Paulo14 e de Barretos15.
Legendas: APC: variação percentual anual; p: probabilidade.
Para o MSP, no período de 2000-2020, observa-se, na Tabela 3, que há mais óbitos por neoplasias no sexo feminino (5.126) do que no sexo masculino (3.264). As principais causas de morte por câncer, no sexo masculino, são as leucemias (21,5%), seguidas dos tumores do sistema nervoso (19,3%) e colorretal (13,4%), enquanto no sexo feminino, são o câncer de mama (30,5%), colo do útero (14,9%) e leucemias (11,4%). As leucemias apresentaram queda estatisticamente significativa para homens (APC=-2,3%aa, p=0,003) e mulheres (APC=-2,6%aa e p=0,005). As demais neoplasias apresentaram-se estáveis para o sexo masculino e feminino, com exceção do câncer do colo do útero que teve aumento significativo (APC=1,7%aa; p=0,002) (Tabela 3).
Tabela 3. Número de óbitos, frequência e variação percentual anual para 14 tipos de câncer, entre pessoas de 20 a 39 anos no município de São Paulo e na Região de Barretos, 2000-2020
|
|
São Paulo |
|
Região de Barretos |
|
|
||||||||||||
|
Homens |
|
Mulheres |
|
Homens |
|
Mulheres |
|
|
|||||||||
|
Óbitos |
% |
(20-39 anos) |
Óbitos |
% |
(20-39 anos) |
Óbitos |
% |
(20-39 anos) |
Óbitos |
% |
(20-39 anos) |
|
|||||
|
APC |
p |
APC |
p |
APC |
p |
APC |
p |
|
|||||||||
|
Todos os cânceres |
3.264 |
100 |
.. |
.. |
5.126 |
100 |
.. .. |
.. .. |
148 |
100 |
.. |
.. |
181 |
100 |
.. |
.. |
|
|
(C50) Mama |
.. |
.. |
.. |
.. |
1.561 |
30,5 |
0,5 |
0,133 |
.. |
.. |
.. |
.. |
51 |
28,2 |
13,41 |
0,027 |
|
|
(C53) Colo do útero |
.. |
.. |
.. |
.. |
764 |
14,9 |
1,7 |
0,002 |
.. |
.. |
.. |
.. |
17 |
9,4 |
.. |
.. |
|
|
(C91-C95) Leucemias |
701 |
21,5 |
-2,3 |
0,003 |
584 |
11,4 |
-2,6 |
0,005 |
31 |
20,9 |
.. |
.. |
12 |
6,6 |
.. |
.. |
|
|
(C70-C72) Sistema nervoso |
631 |
19,3 |
-1,0 |
0,268 |
503 |
9,8 |
-1,0 |
0,349 |
25 |
16,9 |
.. |
.. |
25 |
13,8 |
.. |
.. |
|
|
(C18-20) Colorretal |
436 |
13,4 |
0,7 |
0,426 |
477 |
9,3 |
-0,75 |
0,176 |
22 |
14,9 |
.. |
.. |
19 |
10,5 |
.. |
.. |
|
|
(C16) Estômago |
376 |
11,5 |
-1,0 |
0,307 |
371 |
7,2 |
-1,10 |
0,192 |
9 |
6,1 |
.. |
.. |
16 |
8,8 |
.. |
.. |
|
|
(C56) Ovário |
.. |
.. |
.. |
.. |
268 |
5,2 |
1,5 |
0,347 |
.. |
.. |
.. |
.. |
8 |
4,4 |
.. |
.. |
|
|
(C82-85,96) Linfoma não Hodgkin |
379 |
11,6 |
-1,1 |
0,364 |
256 |
5 |
-1,19 |
0,412 |
13 |
8,8 |
.. |
.. |
8 |
4,4 |
.. |
.. |
|
|
(C33-C34) Pulmão |
204 |
6,3 |
-1,8 |
0,167 |
189 |
3,7 |
-1,8 |
0,165 |
9 |
6,1 |
.. |
.. |
6 |
3,3 |
.. |
.. |
|
|
(C54) Corpo do útero |
.. |
.. |
.. |
.. |
153 |
3 |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
17 |
9,4 |
.. |
.. |
|
|
(C22) Fígado |
158 |
4,8 |
-2,1 |
0,103 |
.. |
.. |
.. |
.. |
6 |
4,1 |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
|
|
(C00) Lábio/(C10-C14) Faringe |
155 |
4,7 |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
12 |
8,1 |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
|
|
(C44) Pele não melanoma |
116 |
3,6 |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
7 |
4,7 |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
.. |
|
|
(C25) Pâncreas |
108 |
3,3 |
0,8 |
0,679 |
.. |
.. |
.. |
.. |
5 |
3,4 |
.. |
.. |
3 |
1,7 |
.. |
.. |
|
Fonte: Autores com base no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM)16.
Legendas: APC: variação percentual anual; p: probabilidade.
Os resultados na Região de Barretos, no período de 2000-2020, foram semelhantes aos obtidos para São Paulo, onde as mulheres apresentam os maiores números de óbitos por câncer (181 em mulheres e 148 nos homens). Nota-se similaridade na distribuição por topografia, visto que, no sexo masculino, as principais localizações foram as leucemias (20,9%), sistema nervoso (16,9%) e colorretal (14,9%). Enquanto no sexo feminino, são o câncer de mama (28,2%), sistema nervoso (13,8%) e colorretal (10,5%), com o câncer do colo do útero aparecendo na quarta posição na mortalidade (9,4%). Houve tendência de crescimento da mortalidade do câncer de mama (APC=13,41%aa; p=0,027). Para as demais topografias, não foi possível calcular o APC pelo pequeno número de óbitos no período.
A partir dos resultados apresentados, ficou evidente o lugar de relevância que o câncer tem ocupado atualmente entre os adultos jovens. No MSP, no período de 2000 a 2020, em números absolutos de óbitos, a neoplasia no sexo feminino ocupou a primeira posição, enquanto na Região de Barretos se manteve na segunda posição. As tendências de incidência mostram semelhanças entre os sexos nas diferentes localidades, com aumento do câncer de colorretal no sexo masculino, tanto no MSP quanto na Região de Barretos, sendo esse aumento significativo em Barretos. Em relação aos tumores femininos, destaca-se um expressivo aumento na incidência do câncer de mama e colo do útero na Região de Barretos, com menor aumento da incidência de câncer de mama no MSP. Além disso, outro ponto expressivo são os óbitos das mulheres na Região de Barretos e MSP, que morreram mais por câncer que os homens. Possivelmente, em função do câncer de mama ter um maior impacto na mortalidade, seguido do câncer do colo do útero e colorretal.
Os óbitos por causas externas no Brasil, desde a década de 1980, correspondiam à segunda causa de morte, superados somente pelas doenças do aparelho circulatório21. Após 40 anos (1980-2020), o panorama se inverteu, com as causas externas ocupando a primeira posição, seguida das doenças do aparelho circulatório. Neste estudo, identificou-se que as principais causas de óbitos foram por causas externas que superam outras causas de morte, como as doenças infecciosas e parasitárias e as doenças do aparelho circulatório, com exceção das mulheres em São Paulo, onde os óbitos por neoplasias ocuparam o primeiro lugar. Pesquisas apontam que essa vulnerabilidade por causas externas das pessoas na faixa etária de 20 a 35 anos está relacionada a determinados comportamentos de risco, como a busca de emoções, o prazer em experimentar situações de risco, a impulsividade e o abuso de substâncias psicoativas22. O presente estudo procurou destacar as causas externas, especificamente nesta faixa etária (20-39 anos), uma vez que os atinge de forma dominante, sobretudo em uma população jovem, economicamente ativa e do sexo masculino, o que resulta em milhões de óbitos anualmente, milhares de hospitalizações e ônus aos serviços de saúde23. Dessa forma, as causas externas não afetam a população de maneira uniforme. Diversos estudos demonstraram que existem grupos populacionais mais predispostos, o que pode ser percebido pela distribuição desigual das mortes por causas externas24. Além disso, o elevado número de óbitos e sequelas/incapacidades, ocasionadas pelas causas externas, constitui importante demanda para que políticas públicas de segurança e saúde sejam estruturadas, implementadas e seguidas no Brasil25.
A carga global de câncer em adultos jovens com idade entre 20 e 39 anos distingue-se daquela observada em idades mais jovens, ou mais avançadas e varia consideravelmente segundo sexo, nível de desenvolvimento, área geográfica. Comparado a outros países, percebe-se uma semelhança com os resultados do presente estudo. Segundo Fidler et al.26, considerando a carga global de câncer em adultos jovens, ocorreram alterações segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – um indicador composto do desenvolvimento socioeconômico que abrange a expectativa de vida, a educação e a renda bruta nacional. Embora o número absoluto de novos casos tenha sido maior entre os países no nível de IDH alto, a incidência foi maior no nível de IDH muito alto, seguido pelo nível de IDH baixo. O câncer de tireoide e o câncer de testículo foram as neoplasias mais constantes em Regiões com IDH muito alto, enquanto os cânceres associados a infecção foram mais frequentes em países com IDH baixo; de fato, uma em cada três neoplasias (33,2%) estava ligada a agentes infecciosos importantes, incluindo papilomavírus humano (HPV), herpes vírus humano-8 (HHV-8), vírus da hepatite B (HBV), vírus da hepatite C (HCV), e Helicobacter pylori, em países de baixo IDH, em relação a um em cada nove (11,3%) em cenários de IDH muito alto. Neste estudo de base populacional, o foco foi quantificar a carga de neoplasias em adultos jovens em todo o mundo, realizado por Fidler et al.26, mostrando que há um padrão misto, pois tanto o câncer de colo de útero quanto o de mama se apresentam como os mais comuns entre as mulheres. Já entre os homens, os cânceres mais incidentes não estão relacionados aos vírus26. Embora o aumento da incidência do câncer do colo do útero seja geralmente associado a populações com baixo desenvolvimento socioeconômico, identificou-se um aumento de casos na Região de Barretos, onde os municípios apresentam, em média, status socioeconômico mais elevado. Esse padrão provavelmente reflete o impacto do programa de rastreamento organizado de câncer do colo do útero mantido por um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), que abrange todos os municípios integrantes do RCBP de Barretos. O maior acesso aos exames de rastreamento e ao diagnóstico precoce pode ter contribuído para o aumento da incidência observado neste estudo.
Fidler et al.26 destacam a atenção que deve ser dada para esta faixa da população, principalmente em países de baixa renda. Além da evidente deficiência de acesso aos sistemas organizados de saúde, de retardo do diagnóstico e de administração de tratamentos não otimizados para as referidas idades, o impacto do câncer na quantidade e na qualidade de vida desses jovens pode ser devastador. Os autores identificaram que, apesar de os países de renda elevada apresentarem as maiores incidências de tumores em pessoas entre 15 e 39 anos de idade, suas taxas de mortalidade são inferiores às de países de baixa renda. Isso porque possuem sistemas de saúde organizados, de alta tecnologia, e as pessoas são diagnosticadas no início da doença, enquanto os países de baixa renda não possuem acesso facilitado ao diagnóstico. Logo, quando o indivíduo descobre a doença, ela já está em estágio avançado26. No Brasil, entre os pacientes que chegaram ao hospital sem diagnóstico, 66,3% dos adultos jovens de 20 a 39 anos tiveram o tratamento do tumor iniciado em até 60 dias após o diagnóstico – conforme determina a Lei 12.732, de 201227. Mas, quando comparados à faixa etária de 15 a 29 anos, levaram o dobro do tempo médio no intervalo entre a consulta e o diagnóstico (12 dias versus 6 dias) e entre a consulta e o início do tratamento (20 dias versus 11 dias)9.
A variação percentual média anual em incidência de câncer entre adultos jovens foi avaliada em 41 países no período de 1998 a 2012, contribuindo com um total de 1.846.588 novos casos de câncer e 3,1 bilhões de pessoas-ano entre 15 e 39 anos. Ocorreu variação em relação à incidência de câncer do colo do útero que diminuiu entre mulheres adultas jovens no Brasil, Colômbia, Estados Unidos, Índia, Filipinas, República da Coreia, Tailândia, Áustria, Bulgária, República Tcheca, França, Polônia, Eslovênia, Espanha e Nova Zelândia, contrastando com aumentos na incidência entre adultos jovens na China, Japão, Turquia, Bielorrússia, Irlanda, Noruega e Reino Unido. Houve indicação de que a incidência de câncer do colo do útero começou a aumentar, mais recentemente, entre mulheres jovens na Holanda. Diminuições substanciais na incidência de câncer de pulmão foram observadas, para ambos os sexos, no Canadá, Estados Unidos, Bahrein, China, Israel, República da Coreia, Turquia, Bulgária, Croácia, República Tcheca e Espanha. Essa diminuição foi amplamente restrita aos adultos jovens masculinos28.
Segundo Li e Kuang3, a principal mudança nas últimas décadas é a popularização mundial de estilos de vida ocidentalizados. Portanto, o aumento da incidência de câncer em adultos jovens é mais significativo em países desenvolvidos e em cânceres relacionados à obesidade, como câncer de mama, tireoide, colorretal, pancreático, renal, ovariano e mieloma múltiplo. Entretanto, a incidência de vários cânceres em adultos jovens diminuiu na última década, incluindo sarcoma de Kaposi e câncer cervical, hepático e gástrico, todos relacionados a infecções. Essa diminuição na incidência ocorreu pela ampla aplicação de vacinas e estratégias de “rastreamento e erradicação” do Helicobacter pylori.
Neste estudo, houve um aumento no câncer de mama e colorretal nas duas localidades (MSP e Região de Barretos). Nessa faixa etária, diversos fatores podem estar associados ao aumento do risco de desenvolver o câncer de mama, tais como: idade, fatores endócrinos/história reprodutiva (história de menarca precoce (idade da primeira menstruação menor que 12 anos)), primeira gravidez após os 30 anos, nuliparidade, uso de contraceptivos orais (estrogênio-progesterona)29-31, fatores comportamentais/ambientais (ingestão de bebida alcoólica, sobrepeso e obesidade, inatividade física e exposição à radiação ionizante) e fatores genéticos/hereditários32. Estatísticas mundiais de câncer em adultos jovens com dados do Globocan 20223 mostram como característica mais marcante uma predominância feminina, onde quase dois terços dos novos casos e mais da metade das mortes relacionadas ao câncer ocorreram em mulheres. A predominância feminina do câncer em adultos jovens, a partir do estudo, indica que os hormônios sexuais podem desempenhar papéis importantes nesses tipos de câncer. Por exemplo, fatores hormonais e reprodutivos são fatores de risco estabelecidos para câncer de mama na pré-menopausa e câncer de tireoide.
Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, a idade recomendável para começar a fazer o exame de mamografia é a partir dos 40 anos, que é a idade em que a curva da incidência da doença começa a aumentar entre as mulheres. Já a recomendação do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é a partir dos 50 anos. Recentemente, as diretrizes de rastreamento do câncer de mama foram atualizadas, e o Ministério da Saúde passou a recomendar o início da mamografia a partir dos 40 anos, com rastreamento sob demanda (realizado mediante indicação clínica ou decisão compartilhada entre a mulher e o profissional de saúde) para a faixa etária de 40 a 49 anos. Entre 50 e 74 anos, o rastreamento é populacional, com realização bianual do exame.
Em relação ao câncer colorretal, os fatores de risco incluem obesidade, inatividade física e consumo frequente de alimentos industrializados e pobres em fibras, como os fast foods, amplamente consumidos entre os jovens. Entretanto, o aumento da incidência do câncer de cólon direito tem sido mais fortemente relacionado ao aumento da obesidade do que a fatores dietéticos33. Alguns estudos sugerem que o baixo consumo de frutas e vegetais e o alto consumo de carne vermelha estão associados a um risco aumentado de câncer de cólon distal, mas não de cólon proximal34-37. Esses padrões indicam que os fatores de risco podem variar conforme o sublocal do tumor, o que pode explicar as diferentes magnitudes de variação observadas entre câncer de cólon e câncer de reto ou retossigmoide. Além disso, evidências recentes apontam que o excesso de gordura corporal no início da vida pode estar associado a maior risco de câncer colorretal em mulheres — inclusive para o câncer retal — independentemente da obesidade na idade adulta38,39.
As análises de idade-período-coorte revelam que as variações por coorte de nascimento predominam sobre os efeitos de período na variação da incidência e mortalidade de diversos cânceres, sugerindo que exposições precoces ou cumulativas — como obesidade, tabagismo, HPV e HCV — influenciam fortemente o risco em adultos jovens. As diferenças entre coortes refletem tanto mudanças na prevalência de fatores de risco quanto variações em práticas de rastreamento e diagnóstico ao longo do tempo. Esses resultados reforçam a importância de análises integradas de modelos idade-período-coorte e dados descritivos, bem como a necessidade de políticas de prevenção e rastreamento adaptadas a diferentes gerações e contextos socioeconômicos40.
Destaca-se que, mesmo com uma menor frequência da ocorrência do câncer em adultos jovens (grupo demográfico chave no qual os esforços de rastreio ou prevenção do câncer não são recomendados) do que em idades mais avançadas, seus efeitos permanecem consideráveis, porque esses indivíduos têm uma grande proporção de expectativa de vida, contribuem substancialmente para a economia e desempenham um papel importante no cuidado de suas famílias. O diagnóstico precoce minimiza os danos de um tratamento mais agressivo26, mas há necessidade de que profissionais de saúde sejam treinados para reconhecer os sinais e sintomas nesta faixa etária, e que a população esteja alerta sobre os riscos associados ao estilo de vida, aos fatores comportamentais, ambientais e genéticos, ou à ação integrada dos diferentes fatores, que são responsáveis pelas tendências crescentes da ocorrência do câncer em nível populacional. Além disso, a vigilância do câncer e estudos de coorte prospectivos precisam ser intensificados para explorar as etiologias dos cânceres de início precoce, devendo cada país ajustar as suas estratégias de prevenção41.
Neste estudo, destaca-se o uso de dados de incidência abrangentes de RCBP e informação de mortalidade de um banco de dados nacional que abrange mais de 20 anos consecutivos para o MSP e para a Região de Barretos. Como limitação, o uso de dados secundários pode estar sujeito a sub-registros, inconsistências e variações na qualidade das informações ao longo do tempo e entre Regiões. Além disso, a ausência de variáveis clínicas e comportamentais mais detalhadas restringe a possibilidade de explorar outros determinantes individuais associados à incidência e à mortalidade. Tais limitações são inerentes a estudos ecológicos e devem ser consideradas na interpretação dos resultados.
O câncer ocupou a quarta posição como causa de morte mais frequente entre os adultos jovens masculinos e a primeira entre as mulheres. A distribuição por causa de morte por câncer teve pequena variação entre o MSP e a Região de Barretos, sendo mais frequentes as mortes por câncer de mama, leucemia, sistema nervoso e colorretal. Há uma tendência de aumento de alguns tipos de cânceres em adultos jovens com destaque para o câncer de mama, colo do útero e colorretal.
Renata dos Santos Nascimento contribuiu na obtenção, análise e interpretação dos dados; e na redação do artigo. Adeylson Guimarães Ribeiro e Maria do Rosário Dias de Oliveira Latorre contribuíram na concepção e no planejamento do estudo; na obtenção, análise e interpretação dos dados; e revisão crítica. Allini Mafra da Costa contribuiu na concepção e no planejamento do estudo; na obtenção, análise e interpretação dos dados. Diego Rodrigues Mendonça e Silva contribuiu na obtenção, análise e interpretação dos dados. José Humberto Tavares Guerreiro Fregnani contribuiu na aquisição de financiamento; na concepção e no planejamento do estudo. Todos os autores aprovaram a versão final a ser publicada.
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Recebido em 27/8/2025
Aprovado em 16/10/2025
Editora-associada: Jeane Tomazelli. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0002-2472-3444
Editora-científica: Anke Bergmann. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0002-1972-8777
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