ARTIGO ORIGINAL

 

Rastreamento para Câncer do Colo do Útero no Sistema Único de Saúde segundo Raça/Cor da Pele: Desigualdades Regionais no Brasil (2021-2023)

Cervical Cancer Screening in the Brazilian National Health System according to Skin Color: Regional Inequalities in Brazil (2021-2023)

Detección del Cáncer de Cuello Uterino en el Sistema Único de Salud según Raza/Color de Piel: Desigualdades Regionales en el Brasil (2021-2023)

 

 

https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2026v72n1.5430

 

Édnei César de Arruda Santos Junior1; Caroline Madalena Ribeiro2; Beatriz Cordeiro Jardim3; Gulnar Azevedo e Silva4

 

1,4Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro (IMS). Rio de Janeiro (RJ), Brasil. E-mails: edneicesar2@gmail.com; gulnar@ims.uerj.br. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0002-6956-6139; Orcid iD: https://orcid.org/0000-0001-8734-2799

2,3Instituto Nacional de Câncer (INCA), Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede. Rio de Janeiro (RJ), Brasil. E-mails: cribeiro@inca.gov.br; beatrizjardim@gmail.com. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0003-2690-5791; Orcid iD: https://orcid.org/0000-0002-3075-2591

 

Endereço para correspondência: Édnei César de Arruda Santos Junior. IMS/Uerj. Rua São Francisco Xavier, 524, Bloco E, 7º andar – Maracanã. Rio de Janeiro (RJ), Brasil. CEP 20950-000. E-mail: edneicesar2@gmail.com

 

 

RESUMO

Introdução: O câncer do colo do útero é um problema de saúde pública que pode ser prevenido por meio da vacinação contra o HPV e o rastreamento. Objetivo: Verificar o número de exames de rastreamento para câncer do colo do útero realizados e estimar a cobertura de rastreamento no Sistema Único de Saúde (SUS) segundo raça/cor da pele, no Brasil, Regiões e capitais de residência. Método: Estudo descritivo com dados do Sistema de Informação de Câncer em mulheres de 25 a 64 anos atendidas no SUS entre 2021 e 2023. A cobertura de rastreamento foi calculada a partir do número de mulheres examinadas na faixa etária-alvo (25-64 anos), registrado nesse sistema, dividido pela população de mulheres usuárias exclusivas do SUS na mesma faixa etária e multiplicado por 100 no Brasil, Regiões e capitais de residência. Resultados: Observaram-se aumento no número de exames registrados e redução de 84,7% dos exames sem informação sobre cor da pele ao longo do período. A cobertura de rastreamento entre mulheres de 25 a 64 anos foi de 39,03% no Brasil. Mulheres brancas apresentaram maior cobertura (43,71%) em comparação com as não brancas (36,20%) e indígenas (37,58%). Entre as Regiões, as maiores coberturas foram observadas no Sudeste e Sul para mulheres brancas, no Norte, Nordeste e Sudeste para não brancas e no Norte, Centro-Oeste e Sul para indígenas. As capitais expressaram o padrão regional. Conclusão: Há diferenças raciais e regionais na realização do exame de rastreamento, com maior vulnerabilização de mulheres não brancas e indígenas.

Palavras-chave: Neoplasias do Colo do Útero; Programas de Rastreamento/estatística & dados numéricos; Sistema Único de Saúde; Sistemas de Informação em Saúde/estatística & dados numéricos; Grupos Raciais.

 

 

ABSTRACT

Introduction: Cervical cancer is a public health problem that can be prevented through HPV vaccination and screening. Objective: To verify the number of cervical cancer screening tests performed and estimate the screening coverage in the National Health System (SUS) according to skin color in Brazil, regions, and state capitals of residence. Method: Descriptive study with data from the Cancer Information System on women aged 25 to 64 years assisted by SUS between 2021 and 2023. Screening coverage was calculated based on the number of women examined in the target age group (25-64 years) registered in this system divided by the population of women who are exclusive users of SUS in the same age group and multiplied by 100 in Brazil, regions, and capitals of residence. Results: There was an increase in the number of exams recorded and an 84.7% reduction in exams without skin color information over the period. Screening coverage among women aged 25 to 64 was 39.03% in Brazil. White women had higher coverage (43.71%) compared to non-white women (36.20%) and indigenous women (37.58%). The highest coverage was observed in the Southeast and South regions for white women, in the North, Northeast, and Southeast regions for non-white women, and in the North, Midwest, and South regions for indigenous women. The capitals reflected the regional pattern. Conclusion: Racial and regional differences to perform screening tests have been observed, being non-white and indigenous women more vulnerable.

Key words: Uterine Cervical Neoplasms; Mass Screening/statistics & numerical data; Unified Health System; Health Information Systems/statistics & numerical data; Racial Groups.

 

 

RESUMEN

Introducción: El cáncer de cuello uterino es un problema de salud pública que se puede prevenir mediante la vacunación contra el VPH y la detección precoz. Objetivo: Verificar el número de pruebas de detección del cáncer de cuello uterino realizadas y estimar la cobertura de detección en el Sistema Único de Salud (SUS) según la raza/color de piel, en el Brasil, regiones y capitales de residencia. Método: Estudio descriptivo con datos del Sistema de Información sobre el Cáncer en mujeres de 25 a 64 años atendidas en el SUS entre 2021 y 2023. La cobertura de detección se calculó a partir del número de mujeres examinadas en el grupo de edad objetivo (25-64 años) registrado en este sistema, dividido entre la población de mujeres usuarias exclusivas del SUS en el mismo grupo de edad y multiplicado por 100 en el Brasil, regiones y capitales de residencia. Resultados: Se observó un aumento en el número de exámenes registrados y una reducción del 84,7% de los exámenes sin información sobre el color de piel a lo largo del período. La cobertura de detección entre las mujeres de 25 a 64 años fue del 39,03% en el Brasil. Las mujeres blancas presentaron una mayor cobertura (43,71%) en comparación con las no blancas (36,20%) y las indígenas (37,58%). Entre las regiones, las mayores coberturas se observaron en el sudeste y el sur para las mujeres blancas, en el norte, el nordeste y el sudeste para las no blancas y en el norte, el centro-oeste y el sur para las indígenas. Las capitales reflejaron el patrón regional. Conclusión: Existen diferencias raciales y regionales en la realización de las pruebas de detección, lo que aumenta la vulnerabilidad de las mujeres no blancas e indígenas.

Palabras clave: Neoplasias del Cuello Uterino; Tamizaje Masivo/estadística & datos numéricos; Sistema Único de Salud; Sistemas de Información en Salud/estadística & datos numéricos; Grupos Raciales.

 

 

INTRODUÇÃO

O câncer do colo do útero permanece como uma das principais causas de adoecimento e morte em mulheres no Brasil, apesar de ser uma doença evitável. A morbimortalidade elevada dessa doença resulta, sobretudo, de desigualdades no acesso a estratégias de prevenção como a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e o rastreamento1,2.

 

Em alguns países do norte da Europa, a morbidade e a mortalidade por esse câncer foram significativamente reduzidas em razão da implementação de programas de rastreamento organizado bem estruturados3. No Brasil, as ações de controle do câncer do colo do útero ganharam impulso com a criação do programa Viva-Mulher na década de 1990, o qual ampliou o acesso ao exame citopatológico4.

 

Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilize exames de rastreamento para toda a população, a morbimortalidade por câncer do colo do útero no Brasil permanece elevada e não alcança os resultados observados em outros países, inclusive da América Latina, como o Chile5. A efetividade do rastreamento para redução da magnitude dessa doença no país é comprometida por desigualdades no acesso e utilização dos serviços de saúde, que refletem iniquidades regionais e entre grupos populacionais mais vulneráveis. Nesse contexto, é importante monitorar a execução e a expansão do programa de rastreamento no país considerando todas as suas particularidades.

 

No caso do câncer do colo do útero, mulheres pretas, pardas e indígenas são frequentemente diagnosticadas em estágios mais avançados da doença do que mulheres brancas6. A cor da pele é um determinante social de saúde que se relaciona com condições socioeconômicas e influencia tanto o risco de adoecimento quanto o acesso à prevenção e ao tratamento7.

 

Dessa forma, determinados grupos populacionais enfrentam maior desvantagem no acesso aos serviços de saúde, resultando em piores desfechos. No Brasil, constata-se maior incidência e mortalidade por câncer do colo do útero em mulheres negras (pretas e pardas) e indígenas8, além de outros marcadores de desigualdades, como maior número de Anos Potenciais de Vida Perdidos por causas externas em homens negros9, maior mortalidade hospitalar e menor uso de recursos hospitalares em indivíduos pretos, pardos e indígenas10, e menor acesso à anestesia local e ao acompanhamento pré-natal em gestantes pretas e pardas11.

 

Esses achados reforçam a necessidade de investigar de forma contínua as desigualdades raciais na saúde no Brasil. No contexto do rastreamento do câncer do colo do útero, compreender como essas desigualdades se expressam é fundamental para subsidiar políticas que ampliem a cobertura e promovam equidade.

 

Este estudo tem como objetivo verificar o número de exames de rastreamento para câncer do colo do útero realizados e estimar a cobertura do exame de rastreamento no SUS segundo raça/cor da pele, no Brasil, Regiões e capitais de residência.

 

MÉTODO

Estudo descritivo conduzido para estimar a cobertura de mulheres rastreadas no SUS para câncer do colo do útero com informações registradas no Sistema de Informação do Câncer (Siscan)12 segundo raça/cor da pele no Brasil, Regiões e capitais de residência entre 2021 e 2023.

 

Os dados utilizados sobre rastreamento para câncer do colo do útero foram obtidos por meio das informações do Siscan12. O quantitativo de exames segundo raça/cor da pele realizados foi consultado no painel “Cito do colo - por local de residência”; já o número de mulheres examinadas no painel “Cito do colo - por pacientes”, para o Brasil, Unidades Federativas (UF) e municípios das capitais, ambos no Tabnet on-line13, do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) em 24/3/2025.

 

A população estimada por raça/cor da pele foi obtida do XIII Recenseamento Geral do Brasil (Censo Demográfico de 2022) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)14, e a estimativa de cobertura de planos privados de saúde por raça/cor da pele, da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 201915.

 

Foram selecionadas no Siscan as seguintes variáveis: a) idade entre 25 e 64 anos; b) raça/cor da pele; c) UF de residência; d) município de residência; e) período do exame entre 2021 e 2023; f) motivo do exame: rastreamento.

 

Inicialmente, foi realizada a descrição do número e percentual de exames citopatológicos de rastreamento registrados no Siscan, segundo raça/cor da pele, por ano, no Brasil e Grandes Regiões. Avaliou-se, também, a diferença absoluta entre o número de exames registrados e o quantitativo populacional estimado pelo Censo de 2022 nas mulheres da população-alvo (25 a 64 anos) no Brasil, Regiões e capitais de residência.

 

A cobertura média de rastreamento segundo raça/cor da pele no SUS foi calculada como a razão entre o número de mulheres de 25 a 64 anos rastreadas no período de 2021 a 2023, correspondente à periodicidade trienal recomendada para o exame, e a população de mulheres sem planos privados de saúde na mesma faixa etária no ano de 2022 (população do meio do período). O resultado dessa razão foi multiplicado por 100. Os cálculos foram realizados para o Brasil, Regiões e capitais de residência.

 

O cálculo da população sem plano privado de saúde foi realizado a partir do total de mulheres de 25 a 64 anos do Censo Demográfico de 2022, excluindo a proporção de mulheres nessa faixa etária que relataram ter plano privado de saúde na PNS 2019.

 

Usualmente, no cálculo da cobertura de rastreamento, o decréscimo da população que não possui plano de saúde, ou seja, que usa exclusivamente o SUS, é realizado por meio das informações do sistema de informação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)16,17. Entretanto, não há dados sobre beneficiárias de planos de saúde segundo raça/cor da pele nesse sistema.

 

Dessa forma, optou-se por utilizar os dados da PNS 2019, um inquérito de base domiciliar com representatividade amostral da população brasileira, que permite estimativas da proporção de indivíduos que possuem plano de saúde por raça/cor da pele15. Mais detalhes sobre o histórico e o processo de amostragem da pesquisa podem ser consultados em publicação anterior18.

 

As categorias de raça/cor da pele foram agrupadas em brancas, não brancas (amarelas, pardas e pretas) e indígenas, visando reduzir o viés decorrente de inconsistências nos registros dessa variável no Cartão Nacional de Saúde (CNS), de onde os dados pessoais do Siscan são provenientes. Essa decisão se deu pelo fato de a categoria amarela apresentar valores incompatíveis com o perfil populacional estimado pelo Censo Demográfico de 2022 (Tabela 2). A inclusão isolada dessa categoria no cálculo da cobertura poderia comprometer a validade dos resultados.

 

Para avaliar diferenças nas coberturas entre os grupos raciais, foi aplicado um teste de proporções adotando-se o nível de significância de 5%.

 

Calcularam-se as razões de prevalência (RP) e seus respectivos intervalos de confiança de 95% para comparar a realização de exames de rastreamento nos grupos raciais dentro das Regiões, adotando-se a população branca como referência, por apresentar a maior cobertura de rastreamento. Já para comparação das RP nas Regiões entre os grupos raciais, tomou-se o Centro-Oeste como referência, uma vez que apresentou a menor cobertura de rastreamento. A manipulação e a análise de dados foram realizadas no software livre R versão 4.2.319.

 

Este estudo não foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), por utilizar dados de fontes de informação secundárias, sem identificação dos usuários e de domínio público, conforme explicitado na Resolução n.º 510/1620 do Conselho Nacional de Saúde.

 

RESULTADOS

Observou-se aumento do número de exames citopatológicos do colo do útero para rastreamento registrados entre 2021 e 2023. Houve redução expressiva da ausência de preenchimento da variável raça/cor da pele, passando de 5,63% em 2021 para 0,86% em 2023, representando melhoria de completude de 84,7% de exames sem informação de raça/cor da pele ao longo do período (Tabela 1).

 

Entre 2021 e 2023, foram registrados 5,5 milhões de exames em mulheres autodeclaradas amarelas, número 22 vezes maior para a população estimada para essa categoria pelo Censo Demográfico para o ano de 2022 (247 mil mulheres), e duas vezes maior do que o total registrado para as mulheres pardas (Tabela 2).

 

Na população de mulheres de 25 a 64 anos, usuárias exclusivamente do SUS, a cobertura média de rastreamento no Brasil foi de 39,03%. As Regiões Sul (50,04%) e Sudeste (45,96%) apresentaram as maiores coberturas, enquanto Norte (34,04%) e Centro-Oeste (27,61%) registraram os menores valores (Tabela 3).

 

Ao analisar a cobertura segundo raça/cor da pele, constatou-se que mulheres brancas (43,71%) apresentaram maior proporção de mulheres rastreadas, seguidas pelas indígenas (37,58%) e não brancas (36,20%) (Tabela 3). Regionalmente, as coberturas em mulheres brancas foram mais elevadas no Sul (59,53%) e Sudeste (47,84%), enquanto, em mulheres não brancas, destacaram-se o Nordeste (46,87%) e Sudeste (44,43%). Entre as mulheres indígenas, as maiores coberturas ocorreram no Sul (54,13%), Centro-Oeste (49,87%) e Norte (42,83%) (Tabela 3).

 

Notam-se, também, diferenças expressivas nas prevalências de realização do exame de rastreamento entre os grupos raciais. No Brasil, as mulheres brancas apresentaram maior frequência de realização em comparação às mulheres não brancas (RP =1,21). Entretanto, nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a prevalência de realização do exame foi maior entre não brancas (RP = 0,41; 0,52; 0,76, respectivamente). Entre as mulheres indígenas, a variação foi ainda mais ampla, com valores de 0,37 no Norte a 4,62 no Sudeste (Tabela 4).

 

Nas capitais, o padrão geral foi semelhante ao observado nas Regiões, com coberturas mais elevadas em mulheres brancas no Sul e Sudeste e em mulheres não brancas no Norte e Nordeste do país. A exceção foram as mulheres indígenas, que apresentam maiores coberturas apenas nas capitais do Norte. Em relação à RP, o comportamento constatado é consistente com aquele verificado nas análises regionais (Tabela 4).

 

As RP por Região (referência = Centro-Oeste) e raça/cor da pele mostram que a prevalência entre mulheres brancas foi mais elevada nas Regiões Sul (RP = 2,58) e Sudeste (RP = 2,07), enquanto as Regiões Norte e Nordeste apresentaram prevalências mais baixas. Para mulheres não brancas, a maior prevalência foi identificada no Nordeste (RP = 1,55), Sudeste (RP = 1,47) e Norte (RP = 1,29), com o Sul apresentando valor ligeiramente inferior ao Centro-Oeste (RP = 0,92). Entre as mulheres indígenas, a prevalência de rastreamento foi baixa nas Regiões Norte, Nordeste e Sudeste, com destaque para o Sudeste, enquanto o Sul teve valor próximo ao de referência (RP = 1,09). Considerando a população geral, a prevalência é maior no Sul (RP = 1,81) e Sudeste (RP = 1,66), e menor no Norte (RP = 1,23) e Nordeste (RP = 1,46) (Tabela 5).

 

Tabela 1. Número e percentual de exames citopatológicos do colo do útero (%) por ano e raça/cor da pele, Brasil e Regiões de residência, 2021-2023

Fonte: Sistema de Informação do Câncer12.

 

 

Tabela 2. Número de exames citopatológicos do colo do útero por mulher realizados por raça/cor da pele entre 2021 e 2023, tamanho populacional e diferença absoluta entre a população e número de exames registrados por Região e capitais

Fonte: Sistema de Informação do Câncer12 e Censo demográfico14.

Nota: * A população por raça/cor da pele foi retirada do Censo de 2022.

 

 

Tabela 3. Número de mulheres rastreadas para câncer do colo do útero, população usuária exclusivamente do SUS e cobertura (%) no Brasil, Regiões e capitais de residência segundo Raça/Cor da pele, 2021-2023

Fonte: Sistema de Informação do Câncer12, Censo demográfico14 e Pesquisa Nacional de Saúde15.

 

 

Tabela 4. Cobertura (%) e razões de prevalência de rastreamento de câncer do colo do útero no Brasil, Regiões e capitais de residência segundo Raça/Cor da pele, 2021-2023

Fonte: Sistema de Informação do Câncer12, Censo demográfico14 e Pesquisa Nacional de Saúde15.

Nota: * Razão de prevalência e intervalo de confiança de 95%.

 

 

Tabela 5. Cobertura (%) e razões de prevalência de rastreamento de câncer do colo do útero por Região e raça/cor da pele, Brasil, 2021-2023

Fonte: Sistema de Informação do Câncer12, Censo demográfico14 e Pesquisa Nacional de Saúde15.

Nota: * Razão de prevalência e intervalo de confiança de 95%.

 

 

DISCUSSÃO

Neste estudo, que utilizou dados individuais registrados no Siscan12, verificou-se que a cobertura média do exame citopatológico no SUS foi de 39,03% entre mulheres de 25 a 64 anos. Percebeu-se que a cobertura foi maior entre mulheres brancas (43,71%) sendo 1,21 vezes superior à de mulheres amarelas, pretas e pardas (não brancas, 36,20%) e 1,16 vezes maior do que a de mulheres indígenas (37,58%).

 

Apesar de ter sido observado aumento no número de exames realizados no SUS em todo o país entre 2021 e 2023, esse crescimento pode ser atribuído, em parte, ao impacto da pandemia da covid-19, que levou a uma diminuição da oferta de exames de rastreamento para câncer, resultando em uma redução substancial do volume de exames registrados entre 2020 e 2021. A partir de 2022, observa-se uma retomada aos níveis pré-pandêmicos21,22. Além disso, a expansão da implantação do Siscan no Brasil pode ter contribuído para o aumento registrado, apesar de não estar totalmente concluída em território nacional23. A melhoria observada no preenchimento de raça/cor da pele decorre, provavelmente, da obrigatoriedade dessa informação nos sistemas de informação do SUS, a partir do último trimestre de 202224.

 

Em relação à consistência dos dados, identificou-se que o número de exames na categoria amarela excedeu expressivamente a população estimada pelo Censo Demográfico de 2022, como descrito anteriormente. Essa discrepância pode decorrer de questões culturais locais no processo de autodeclaração de raça/cor da pele e de falhas no preenchimento do CNS pelos profissionais de saúde que operam o sistema, além de possíveis erros de codificação dos dados25. Tal cenário evidencia fragilidades na qualidade da informação sobre raça/cor da pele e alerta para a necessidade de aprimorar a coleta e validação desses dados nos sistemas administrativos do SUS. Os achados do presente estudo indicam diferenças raciais e geográficas na cobertura de rastreamento do Papanicolau no SUS em mulheres da população-alvo (25 a 64 anos) entre 2021 e 2023. As coberturas foram mais elevadas no Sul e Sudeste e menores no Norte e Centro-Oeste. Entre as categorias raciais, mulheres brancas tiveram coberturas mais altas no Sul (59,53%), não brancas no Nordeste (46,87%) e indígenas no Sul (54,13%). Em comparação, entre as RP de realização do exame, considerando as mulheres brancas, observou-se, nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, maior prevalência entre mulheres não brancas (RP = 0,41; 0,52; 0,76, respectivamente) e indígenas (RP = 0,37; 0,70; 0,46) comparadas ao grupo de referência.

 

Além disso, as RP de realização do exame, estratificadas por grupo racial e considerando a Região Centro-Oeste como referência, apresentam ampla variação entre as Regiões. Ao comparar mulheres brancas e não brancas, a prevalência é maior entre mulheres brancas nas Regiões Sul e Sudeste, enquanto, entre as mulheres não brancas, é mais elevada no Norte, Nordeste e Sudeste. Para as mulheres indígenas, a discrepância é particularmente acentuada no Sudeste, onde a prevalência é extremamente baixa em relação às mulheres de referência. Na população geral, as prevalências mais elevadas foram registradas nas Regiões Sul (RP = 1,81) e Sudeste (RP = 1,66), seguidas pelo Nordeste (RP = 1,46) e Norte (RP = 1,23).

 

Esse cenário também é verificado por Silva, Alcantara, Tomazelli et al.16 que, ao utilizarem dados do Sistema de Informação Ambulatorial do SUS (SIA/SUS) para estimar um proxy de cobertura do exame citopatológico, identificaram menores coberturas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com uma cobertura em torno de 25% para o Brasil. De modo complementar, dados de inquéritos populacionais em saúde identificaram maiores coberturas de rastreamento entre mulheres brancas e residentes do Sul, e menores em mulheres pretas e pardas nas Regiões Norte e Nordeste26,27.

 

Na análise do volume de exames por mulher, percebe-se que o número de exames realizados fora das capitais é superior ao observado nas capitais. Mais da metade dos exames nas Regiões ocorreram em municípios do interior ou Regiões Metropolitanas. Essa diferença entre o volume de exames pode ser parcialmente explicada por uma maior implementação do Siscan em áreas de interiores e metropolitanas, além de uma possível maior concentração de mulheres com plano de saúde nas capitais, o que redireciona uma parte dos exames para unidades de saúde privadas. Assim, uma parcela das mulheres que realizam exames de rastreamento para câncer do colo do útero nas capitais não é captada pelo sistema de informação do SUS.

 

Este estudo identificou que a cobertura na faixa etária-alvo do exame citopatológico varia entre de 27% no Centro-Oeste a 50% no Sul, com diferenças marcantes conforme a raça/cor da pele e região de residência, refletindo desigualdades de acesso aos serviços de saúde. Uma análise feita por Szwarcwald et al.28 sobre o acesso e a utilização de serviços de saúde mostra que os indicadores tendem a ser melhores no Sudeste e no Sul, comparados ao Norte e Nordeste, particularmente quanto à realização de consultas médicas nos últimos 12 meses. Além desse aspecto, pessoas pretas e pardas são menos atendidas do que as brancas, e indivíduos de raça/cor da pele não branca apresentam maior chance de discriminação percebida no acesso aos serviços de saúde, especialmente em função de fatores socioeconômicos29,30.

 

Em países de alta renda, a incidência e a mortalidade por esse tipo de câncer têm apresentado taxas declinadas quando comparadas a outras localidades31,32. Esse declínio é comumente atribuído à implementação de programas de rastreamento organizado, com ampla cobertura populacional e controle adequado dos fatores de risco para a doença.

 

No entanto, o impacto do rastreamento no Brasil não tem sido tão pronunciado quanto nos países de alta renda. A mortalidade para câncer do colo do útero no país tem mostrado queda desde 1980, sobretudo a partir da década de 1990, com a introdução do rastreamento. O efeito do rastreamento nas taxas de incidência e mortalidade, por sua vez, é suavizado pelas desigualdades e dificuldades de acesso, principalmente nas cidades do interior das Regiões Norte e Nordeste33,34.

 

O acesso diferenciado ao sistema de saúde por determinados grupos populacionais exerce influência na adesão, realização do exame citopatológico e nos desfechos de saúde. Alguns fatores como menor renda familiar, menor idade, menor escolaridade, cor da pele não branca, maior número de filhos, não ter realizado consulta médica nos últimos 12 meses e ausência de plano de saúde privado estão associados à não realização do exame citopatológico35,36.

 

O êxito no controle do câncer do colo do útero depende não apenas da realização de exame de rastreamento, mas também da capacidade de detecção e tratamento oportuno37,38. No Brasil, aproximadamente 50% dos casos são diagnosticados em estadiamentos avançados. Sendo as mulheres pretas, pardas e indígenas com maior probabilidade de serem diagnosticadas nesses estágios comparadas às brancas. Essa associação também se relaciona positivamente com a escolaridade, cônjuge e o uso de serviços públicos de saúde6. A ausência de um programa organizado, com busca ativa e o devido seguimento das mulheres com exames alterados, contribui para a manutenção dessas desigualdades4.

 

No contexto internacional, a meta da Estratégia global para acelerar a eliminação do câncer do colo do útero como problema de saúde pública39 até 2030 estabelece que 90% das meninas devem ser vacinadas contra o HPV até 15 anos de idade, 70% das mulheres rastreadas com um teste de alto desempenho até 35 anos de idade e novamente aos 45 anos de idade, e 90% das mulheres identificadas com câncer do colo do útero ou lesões precursoras devem receber tratamento.

 

No Brasil, além da cobertura aquém do recomendado, o rastreamento do câncer do colo do útero é realizado com base no exame citopatológico, que apresenta menor sensibilidade em comparação ao teste de DNA HPV. A recente incorporação do teste DNA HPV ao SUS representa uma oportunidade de qualificar o rastreamento40,41. Contudo, para garantir efetividade do rastreamento, é fundamental que sejam identificados e rastreados os grupos de maior vulnerabilidade, como mulheres que nunca realizaram o rastreamento ou que estão em atraso. Os resultados deste estudo possibilitam identificar as Regiões, capitais e grupos populacionais de maior risco para o desenvolvimento da doença, podendo ser úteis no planejamento da implementação do rastreamento organizado no país.

 

Este estudo apresenta algumas limitações, sobretudo as relacionadas a fatores intrínsecos à utilização de fontes de informações secundárias, como a oscilante qualidade dos dados entre as Regiões brasileiras. Soma-se a esse cenário a implantação ainda incompleta do sistema, especialmente na Região Sudeste, onde a baixa implantação no Estado de São Paulo, um dos mais populosos do Brasil, compromete de forma significativa a completude e a representatividade dos dados23.

 

O erro de preenchimento da variável raça/cor da pele dentro do Siscan12 representa uma limitação significativa para o estudo, pois dificulta a análise da cobertura de rastreamento segundo raça/cor da pele. Cabe destacar que a população indígena, por suas características específicas, possui sistemas de informações em saúde próprios, o que pode ocasionar sub-registro de seus dados no Siscan.

 

Outra limitação advém da utilização dos dados da PNS 201915 para estimar a população usuária exclusivamente do SUS, uma vez que a amostra de amarelos e indígenas não é totalmente representativa da população, o que pode afetar a redução das mulheres que possuem planos de saúde daquelas da população geral, desse modo, superestimando a cobertura de rastreamento no país.

 

Além das limitações mencionadas, a ausência de um sistema de informação integrado e padronizado resulta em uma fragmentação da informação entre diferentes fontes de dados, onde a coleta da informação, principalmente a relacionada à raça/cor da pele, é heterogênea.

 

CONCLUSÃO

O estudo aponta para diferenças raciais e regionais na cobertura do exame de rastreamento, com maior vulnerabilidade de mulheres não brancas e indígenas. Apesar da crescente expansão de ações para prevenção e controle do câncer do colo do útero no SUS nas últimas décadas, ainda persistem desigualdades no acesso e na utilização dos serviços de saúde que impactam diretamente no cuidado à saúde.

 

Para enfrentar as disparidades raciais e regionais, é imprescindível a implementação de um programa de rastreamento organizado, contemplando não apenas a convocatória das mulheres da faixa etária-alvo e a adoção de um teste de alta performance, mas também a reestruturação da linha de cuidado para câncer do colo do útero no SUS.

 

O fortalecimento da busca ativa, a qualificação dos sistemas de informação e a garantia de acesso equitativo à toda linha de cuidado são medidas essenciais para avançar na eliminação do câncer do colo do útero como problema de saúde pública no Brasil.

 

 

CONTRIBUIÇÕES

Édnei César de Arruda Santos Junior, Caroline Madalena Ribeiro e Gulnar Azevedo e Silva contribuíram na concepção e no planejamento do estudo; na obtenção, análise e interpretação dos dados; na redação e revisão crítica. Beatriz Cordeiro Jardim contribuiu na análise dos dados e interpretação dos resultados; e na redação do artigo. Todos os autores aprovaram a versão final a ser publicada.

 

 

DECLARAÇÃO DE CONFLITOS DE INTERESSE

Nada a declarar.

 

 

DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS

O conjunto de dados gerado e revisado durante o estudo está disponível no repositório do DATASUS https://datasus.saude.gov.br/acesso-a-informacao/sistema-de informacao-do-cancer-siscan colo-do-utero-e-mama/ e do IBGE https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/censo-demografico/demografico-2022/universo-populacao-por-cor-ou-raca. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/29540-2013-pesquisa-nacional-de-saude.html?edicao=9177&t=microdados.

 

 

FONTES DE FINANCIAMENTO

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

 

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Recebido em 15/8/2025

Aprovado em 29/10/2025

 

Editor associada: Jeane Tomazelli. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0002-2472-3444

Editora-científica: Anke Bergmann. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0002-1972-8777

 

 

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