Perfil Epidemiológico e Fatores Relacionados ao Câncer de Cavidade Oral em Adultos Jovens Brasileiros e sua Relação com o Óbito, 1985-2017

Autores

  • Lidiane de Jesus Lisboa Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Feira de Santana (BA), Brasil.
  • Marília de Matos Amorim Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Feira de Santana (BA), Brasil.
  • Alessandra Laís Pinho Valente Pires Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Feira de Santana (BA), Brasil.
  • Ana Carla Barbosa de Oliveira Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Feira de Santana (BA), Brasil.
  • Rodrigo Tripodi Calumby Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Feira de Santana (BA), Brasil.
  • Valéria Souza Freitas Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Feira de Santana (BA), Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2022v68n2.2063

Palavras-chave:

neoplasias bucais, carcinoma de células escamosas/epidemiologia, fatores de risco, adulto jovem

Resumo

Introdução: A incidência do câncer de cavidade oral entre adultos jovens tem crescido ao longo dos últimos anos, não estando clara a etiologia e a patogênese da neoplasia nesse grupo. Objetivo: Descrever o perfil dos adultos jovens brasileiros diagnosticados com carcinoma de células escamosas (CCE) em cavidade oral e a relação com o óbito entre 1985 e 2017. Método: Estudo transversal de base hospitalar, com indivíduos de 19 a 40 anos, diagnosticados com CCE a partir dos Registros Hospitalares de Câncer do Brasil. Foi realizada a analise descritiva e calculados o teste qui-quadrado, a razão de prevalência (RP) e a regressão logística com intervalo de confiança de 95%. Resultados: Foram elegíveis 1.761 casos de CCE em adultos jovens no período em estudo. O maior número de casos se concentrou na faixa etária de 31≥40 anos (79,80%), homens (71,90%), brancos (50,20%), moradores da Região Sudeste (36,40%), sem companheiro (58,00%) e com o ensino fundamental completo (63,40%). A maioria apresentava hábitos tabagistas (61,60%) e etilistas (56,70%), 18,50% eram profissionais da agricultura/aquicultura e 40,70% relataram histórico familiar de câncer. Foram diagnosticados em estádio avançado 68,10% e 25,50% dos casos foram a óbito. Os casos diagnosticados na língua foram os mais frequentes (42,40%) e apresentaram RP=2,638 (IC95% 2,050-3,394) vezes maior para óbito em relação aos casos no lábio e após ajuste, a odds ratio para esse local aumentou para 7,832 (IC95% 2,625-23,374, p<0,0001). Conclusão: O CCE nessa população necessita de maior atenção para reduzir a incidência e a letalidade desse problema de saúde publica.

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Publicado

2022-06-20

Como Citar

1.
Lisboa L de J, Amorim M de M, Pires ALPV, Oliveira ACB de, Calumby RT, Freitas VS. Perfil Epidemiológico e Fatores Relacionados ao Câncer de Cavidade Oral em Adultos Jovens Brasileiros e sua Relação com o Óbito, 1985-2017. Rev. Bras. Cancerol. [Internet]. 20º de junho de 2022 [citado 28º de junho de 2022];68(2):e-142063. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/2063

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Seção

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