Impacto do Tempo de Espera para Colposcopia, Biópsia e Conização em Mulheres com Citopatologia Oncótica Alterada

Autores

DOI:

https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2026v72n2.5520

Palavras-chave:

Neoplasias do Colo do Útero/diagnóstico, Citodiagnóstico, Colposcopia, Biópsia, Tempo para o Tratamento/estatística & dados numéricos

Resumo

Introdução: O câncer do colo do útero é um desafio de saúde pública no Brasil e, apesar da prevenção e detecção precoce, o seu diagnóstico ainda apresenta obstáculos. Objetivo: Analisar os tempos de espera entre citologia oncótica alterada, colposcopia, biópsia e anatomopatológico em mulheres atendidas na Macrorregião de Saúde de Passos, Minas Gerais. Método: Estudo de coorte retrospectiva, conduzido entre 2019 e 2023, envolvendo 669 prontuários de pacientes acompanhadas em centro de atenção secundária. Foram avaliados três intervalos: (A) entre citologia e consulta ginecológica; (B) entre consulta e resultado da biópsia; e (C) entre resultado da biópsia e laudo do anatomopatológico. As análises incluíram médias, desvios-padrão e teste t para amostras independentes. Resultados: O tempo médio foi de 91,05 dias para o intervalo A, 36,67 dias para o intervalo B e 134,78 dias para o intervalo C. Identificou-se diferença significativa no intervalo A entre residentes de Passos e dos demais municípios, bem como no intervalo B entre pacientes encaminhadas ao hospital terciário e aquelas acompanhadas na atenção secundária. O maior atraso concentrou-se no intervalo C, independentemente da origem ou do desfecho clínico. Conclusão: Os resultados evidenciam atrasos no percurso diagnóstico do câncer do colo do útero, especialmente entre biópsia e conização, além de desigualdades associadas ao local de residência e ao fluxo de encaminhamento. Tais achados reforçam a necessidade de reorganização dos fluxos assistenciais e fortalecimento da Rede de Atenção Oncológica, visando reduzir desigualdades e otimizar o diagnóstico precoce.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Instituto Nacional de Câncer. Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; 2026 [acesso 2025 nov 5]. Disponível em: https://ninho.inca.gov.br/jspui/handle/123456789/17914

Eun TJ, Perkins RB. Screening for cervical cancer. Med Clin North Am. 2020;104(6):1063-78. doi: https://doi.org/10.1016/j.mcna.2020.08.006 DOI: https://doi.org/10.1016/j.mcna.2020.08.006

Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Portaria n° 13, de 29 de julho de 2025. Aprova as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero: Parte I - Rastreamento organizado utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV Oncogênico [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 2025 jul 29 [acesso 2025 maio 24]; Seção I:155. Disponível em: https://cfbm.gov.br/wp-content/uploads/2025/08/PORTARIA-CONJUNTA-SAES_SECTICS-No-13-DE-29-DE-JULHO-DE-2025-PORTARIA-CONJUNTA-SAES_SECTICS-No-13-DE-29-DE-JULHO-DE-2025-DOU-Imprensa-Nacional.pdf

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. 2. ed. rev. atual. Rio de Janeiro: INCA; 2016. [Acesso 2025 maio 24]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//diretrizes_para_o_rastreamento_do_cancer_do_colo_do_utero_2016_corrigido.pdf

Freitas IAS, Cavalcante AFC, Melo Júnior FAF, et al. Perfil epidemiológico do câncer de colo uterino no Brasil e em suas regiões no período de 2018 e 2022. BJIHS. 2023;5(4):1710-9. doi: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2023v5n4p1710-1719 DOI: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2023v5n4p1710-1719

Lemos FS. O controle do câncer de colo uterino em municípios de uma região de saúde do estado de Minas Gerais: uma proposta de ação [dissertação na Internet]. Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo; 2023 [acesso 2025 jun 4]. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22134/tde-08122023-115347/publico/Dissert_FabiolaLemos.pdf

Moreira DP, Cunha MAC, Pilecco FB, et al. Tratamento ambulatorial do câncer do colo do útero em tempo oportuno: a influência da região de residência de mulheres no Estado de Minas Gerais, Brasil. Cad Saúde Pública. 2022;38(10):e00277521. doi: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT277521 DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311xpt277521

Instituto Nacional de Câncer. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; 2011 [acesso 2025 maio 24]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/rastreamento_cancer_colo_utero.pdf

Xue P, Ng MTA, Qiao Y. The challenges of colposcopy for cervical cancer screening in LMICs and solutions by artificial intelligence. BMC Med. 2020;18:169. doi: https://doi.org/10.1186/s12916-020-01613-x DOI: https://doi.org/10.1186/s12916-020-01613-x

Conselho Nacional de Saúde (BR). Resolução n° 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 2013 jun 13. [acesso 2025 fev 14]; Seção 1:59. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2013/res0466_12_12_2012.html

Nascimento MI, Rabelo IMMA, Cardoso FSP, et al. Tempo de espera pela primeira colposcopia em mulheres com teste de Papanicolaou alterado. Rev Bras Ginecol Obstet. 2015;37(8):381-7. doi: https://doi.org/10.1590/SO100-720320150005393 DOI: https://doi.org/10.1590/SO100-720320150005393

Yancy B, Royalty JE, Marroulis S, et al. Using data to effectively manage a national screening program. Cancer. 2014;120(S16):2575-83. doi: https://doi.org/10.1002/cncr.28821 DOI: https://doi.org/10.1002/cncr.28821

Ismail MS, Hsu S, AlKhalifa MA, et al. Evaluation of different guidelines for cervical cancer screening and management of abnormal cervical cytology. ACP. 2020;5(1);1-12. doi: https://doi.org/10.17352/acp.000011 DOI: https://doi.org/10.17352/acp.000011

Buss LF, Cury L, Ribeiro CM, et al. Access to colposcopy in the state of São Paulo, Brazil: probabilistic linkage study of administrative data. Cad Saúde Pública. 2022;38(1):e00304820. doi: https://doi.org/10.1590/0102-311X00304820 DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311x00304820

Alimena S, Lykken JM, Tiro JA, et al. Timing of colposcopy and risk of cervical cancer. Obstet Gynecol. 2023;142(5):1125-34. doi: https://doi.org/10.1097/aog.0000000000005313 DOI: https://doi.org/10.1097/AOG.0000000000005313

World Health Organization. Who Framework for strengthening and scaling-up services for the management of invasive cervical cancer [Internet]. 2020 [acesso 2025 set 7]. Genebra: WHO; 2018. Disponível em: https://iris.who.int/bitstreams/00521e69-bee2-464d-b0c7-eb568f11d22f/download

Presidência da República (BR). Lei n° 13.896, de 30 de outubro de 2019. Altera a Lei nº 12.732, de 22 de novembro de 2012, para que os exames relacionados ao diagnóstico de neoplasia maligna sejam realizados no prazo de 30 (trinta) dias, no caso em que especifica [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 2019 out 31 [acesso 2025 dez 20]; Seção I:1. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13896.htm

Nnaji CA, Ezenwankwo EF, Kuodi P, et al. Timeliness of diagnosis of breast and cervical cancers and associated factors in low-income and middle-income countries: a scoping review. BMJ Open. 2022;12(2):e057685. doi: https://doi.org/10.1136/bmjopen-2021-057685 DOI: https://doi.org/10.1136/bmjopen-2021-057685

Publicado

2026-04-22

Como Citar

1.
Machado JRD, Miranda FD, Morceli G. Impacto do Tempo de Espera para Colposcopia, Biópsia e Conização em Mulheres com Citopatologia Oncótica Alterada. Rev. Bras. Cancerol. [Internet]. 22º de abril de 2026 [citado 25º de abril de 2026];72(2):e-275520. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/5520

Edição

Seção

ARTIGO ORIGINAL