Integração da Classificação Molecular e Histopatológica: Um Caminho para Otimizar o Tratamento e o Prognóstico no Câncer de Endométrio
DOI:
https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2026v72n2.5689Palavras-chave:
Neoplasias do Endométrio, Pós-Menopausa, Análise Citogenética/métodos, Medicina de Precisão/métodosResumo
Introdução: O câncer de endométrio, sexta neoplasia mais comum em mulheres pós-menopausa, apresenta incidência crescente globalmente. Tradicionalmente, é classificado em tipos I (endometrioide) e II (não endometrioide) e, mais recentemente, em quatro grupos moleculares, com diferentes implicações prognósticas e terapêuticas. Objetivo: Analisar o impacto da integração entre histopatologia e biologia molecular na compreensão do câncer de endométrio e sua influência no tratamento e prognóstico das pacientes. Método: Estudo retrospectivo de 1.451 casos do projeto The Cancer Genome Atlas (TCGA), utilizando ANOVA, teste t e qui-quadrado para avaliação genômica e clínica. Resultados: O carcinoma endometrioide foi predominante, com média de idade ao diagnóstico de 63,7 anos e sobrevida global variando por raça. A radioterapia adjuvante mostrou-se eficaz em pacientes com carcinoma endometrioide, com sobrevida global de 35,4 meses. A terapia neoadjuvante aumentou significativamente a sobrevida global em carcinomas serosos papilares uterinos. Puderam se beneficiar da análise molecular 87% das pacientes com carcinoma endometrioide, 48% com carcinoma misto endometrial e 25% com carcinoma endometrial indiferenciado. Os grupos moleculares apresentaram características distintas de expressão gênica. As do Grupo 1 sugeriram controle dinâmico da doença. No Grupo 2, predominaram genes ligados ao ciclo celular e estabilidade da cromatina. O Grupo 3 destacou genes envolvidos no remodelamento da cromatina e proliferação celular, enquanto o Grupo 4 caracterizou-se pela expressão de TP53 e de genes relacionados à via PI3K-AKT. Conclusão: Dada a complexidade molecular do câncer de endométrio, integrar análises histopatológicas e moleculares é essencial para guiar tratamentos precisos, aumentando a eficácia terapêutica e melhorando desfechos clínicos.
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