Perspectivas da Organização dos Cuidados de Monitoramento de Longo Prazo para os Sobreviventes de Câncer Infantojuvenil

Autores

  • Gabriel Antonio Meireles Instituto Nacional de Câncer (INCA), Coordenação de Ensino (Coens), Programa de Residência Multiprofissional em Oncologia. Rio de Janeiro (RJ), Brasil. https://orcid.org/0000-0001-8141-2231
  • Mario Jorge Sobreira da Silva INCA, Coens, Divisão de Ensino. Rio de Janeiro (RJ), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-0477-8595

DOI:

https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2026v72n2.5519

Palavras-chave:

Pessoal de Saúde, Cuidado Transicional, Sobreviventes de Câncer, Menores de Idade, Adulto Jovem

Resumo

Introdução: Indivíduos com história de câncer na infância apresentam 10 a 20 vezes maior risco de desenvolver um segundo câncer durante a vida. Os efeitos tardios do tratamento do câncer podem surgir em curto ou longo prazo e causar consequências significativas para os pacientes que se submetem a ele. Objetivo: Identificar as necessidades e perspectivas dos profissionais para organização dos cuidados de monitoramento para os sobreviventes de câncer infantojuvenil de longo prazo de um centro de alta complexidade em oncologia do Rio de Janeiro. Método: Análise situacional, envolvendo abordagem qualitativa segundo o referencial teórico do interacionismo interpretativo de Denzin. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de entrevista estruturado e discutidos posteriormente em três categorias: elementos do cuidado aos sobreviventes; intersetorialidade e integralidade do cuidado; necessidade de apoio psicossocial. Resultados: O acompanhamento de sobreviventes enfrenta desafios em razão de divergências entre profissionais sobre critérios de seleção. Destaca-se a necessidade de planos de cuidado personalizados, comunicação eficaz e promoção da autogestão para garantir um atendimento contínuo e abrangente. Conclusão: Os achados do estudo permitiram identificar, como desafios, o dissenso dos profissionais sobre os cuidados que deveriam ser ofertados aos sobreviventes, o desconhecimento sobre os conceitos de sobrevivência, o monitoramento em longo prazo e os critérios de seleção. Os profissionais apontaram como perspectivas a melhora da comunicação entre os diferentes níveis de atenção à saúde e a necessidade de uma estrutura articulada que possa lidar eficazmente com as demandas específicas dos sobreviventes.

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Publicado

2026-03-12

Como Citar

1.
Meireles GA, Sobreira da Silva MJ. Perspectivas da Organização dos Cuidados de Monitoramento de Longo Prazo para os Sobreviventes de Câncer Infantojuvenil. Rev. Bras. Cancerol. [Internet]. 12º de março de 2026 [citado 12º de março de 2026];72(2):e-085519. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/5519

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