Entre Iniquidades e Possibilidades: Como a Interseccionalidade pode Transformar o Cuidado ao Câncer de Boca no Sistema Único de Saúde
DOI:
https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2026v72n3.5603Palavras-chave:
Neoplasias Bucais, Enquadramento Interseccional, Determinantes Sociais da Saúde, Sistema Único de SaúdeResumo
O câncer bucal continua sendo um grande problema de saúde pública caracterizado por diagnósticos tardios e desfechos modelados por desigualdades estruturais. No Brasil, a vivência da doença é mediada por marcadores sociais da diferença, exigindo abordagens que vão além dos modelos epidemiológicos tradicionais. A interseccionalidade oferece uma lente analítica capaz de revelar como múltiplas dimensões da vulnerabilidade afetam o acesso, o cuidado e os desfechos de saúde. O tratamento do câncer bucal dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) depende da consolidação da Política Nacional de Saúde Bucal e da Rede de Atenção à Saúde Bucal. Apesar de avanços recentes, obstáculos persistentes afetam desproporcionalmente grupos historicamente marginalizados. As evidências mostram que raça, gênero, educação e nível socioeconômico influenciam o período de tempo até o diagnóstico e o tratamento, expondo desigualdades persistentes. A integração da interseccionalidade nos processos operacionais de Atenção Primária, Centros de Especialização Bucal e vigilância sanitária pode fortalecer práticas igualitárias e transformadoras, promovendo o cuidado abrangente. Em pesquisa clínica, as perspectivas críticas e desenhos teórico- metodológicos robustos – incluindo métodos mistos – aprofundam a compreensão das relações interseccionais que modelam as vivências da doença e instrumentalizam políticas transformadoras. A inclusão da interseccionalidade no cuidado e na pesquisa do câncer bucal reforça o SUS como um projeto civilizador, expandindo a visibilidade para as populações vulneráveis e promovendo práticas fundamentadas na equidade e na justiça social.
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