Panorama Temporal e Geográfico da Mortalidade por Câncer em Alagoas (2001-2022): A Urgência da Descentralização do Cuidado
DOI:
https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2026v72n4.5628Palavras-chave:
Neoplasias/mortalidade, Mortalidade, Análise Espacial, Distribuição TemporalResumo
Introdução: O câncer é a segunda principal causa de óbito global. Compreender a sua distribuição temporal e espacial pode subsidiar políticas públicas e alocação de recursos de maneira adequada. Objetivo: Descrever a tendência temporal e a distribuição territorial da mortalidade por câncer em Alagoas entre 2001 e 2022. Método: Estudo epidemiológico, realizado com dados de mortalidade (CID-10: C00–C97). Incluíram-se residentes de 19 a 99 anos, com sexo e município válidos. As populações foram obtidas no DATASUS. Calcularam-se taxas brutas de mortalidade por 100 mil habitantes. As tendências foram avaliadas por regressão segmentada log-linear, e as análises espaciais e estratificações por Região de Saúde foram conduzidas em Python. Resultados: Foram registrados 39.611 óbitos. A taxa de mortalidade aumentou de 32,8 para 77,7/100 mil habitantes, com variação anual média de +3,6% entre 2006 e 2022. Entre os homens, o câncer de próstata foi a principal causa (3.126 óbitos; +5,8%/ano), enquanto entre as mulheres predominaram mama (2.989; +6,5%/ano) e colo do útero (2.031; +4,4%/ano). A idade média ao óbito foi de 63,9 anos, sendo que 25% ocorreram antes dos 54 anos. Um total de 27,1% dos óbitos ocorreu fora do município de residência, revelando centralização assistencial. Em 2020, houve queda de 0,7%, atribuída à subnotificação durante o período pandêmico, seguida de retomada. Conclusão: A mortalidade por câncer em Alagoas cresce de forma sustentada, marcada por mortes prematuras, concentração geográfica e deslocamentos assistenciais. Descentralizar a rede oncológica, ampliar o rastreamento de tumores evitáveis e fortalecer os cuidados paliativos domiciliares são ações prioritárias para reduzir a mortalidade.
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