Panorama Temporal e Geográfico da Mortalidade por Câncer em Alagoas (2001-2022): A Urgência da Descentralização do Cuidado

Autores

  • Marianna Victória Cerqueira Rocha Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Escola de Enfermagem, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. Maceió (AL), Brasil. https://orcid.org/0000-0001-7671-2416
  • Adriana Martins da Conceição Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Escola de Enfermagem. Maceió (AL), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-7704-3688
  • Karina Calheiros da Silva Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Escola de Enfermagem. Maceió (AL), Brasil. https://orcid.org/0009-0001-9166-7083
  • Laís de Miranda Crispim Costa Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Escola de Enfermagem. Maceió (AL), Brasil. https://orcid.org/0000-0003-4997-567X

DOI:

https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2026v72n4.5628

Palavras-chave:

Neoplasias/mortalidade, Mortalidade, Análise Espacial, Distribuição Temporal

Resumo

Introdução: O câncer é a segunda principal causa de óbito global. Compreender a sua distribuição temporal e espacial pode subsidiar políticas públicas e alocação de recursos de maneira adequada. Objetivo: Descrever a tendência temporal e a distribuição territorial da mortalidade por câncer em Alagoas entre 2001 e 2022. Método: Estudo epidemiológico, realizado com dados de mortalidade (CID-10: C00–C97). Incluíram-se residentes de 19 a 99 anos, com sexo e município válidos. As populações foram obtidas no DATASUS. Calcularam-se taxas brutas de mortalidade por 100 mil habitantes. As tendências foram avaliadas por regressão segmentada log-linear, e as análises espaciais e estratificações por Região de Saúde foram conduzidas em Python. Resultados: Foram registrados 39.611 óbitos. A taxa de mortalidade aumentou de 32,8 para 77,7/100 mil habitantes, com variação anual média de +3,6% entre 2006 e 2022. Entre os homens, o câncer de próstata foi a principal causa (3.126 óbitos; +5,8%/ano), enquanto entre as mulheres predominaram mama (2.989; +6,5%/ano) e colo do útero (2.031; +4,4%/ano). A idade média ao óbito foi de 63,9 anos, sendo que 25% ocorreram antes dos 54 anos. Um total de 27,1% dos óbitos ocorreu fora do município de residência, revelando centralização assistencial. Em 2020, houve queda de 0,7%, atribuída à subnotificação durante o período pandêmico, seguida de retomada. Conclusão: A mortalidade por câncer em Alagoas cresce de forma sustentada, marcada por mortes prematuras, concentração geográfica e deslocamentos assistenciais. Descentralizar a rede oncológica, ampliar o rastreamento de tumores evitáveis e fortalecer os cuidados paliativos domiciliares são ações prioritárias para reduzir a mortalidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Bray F, Laversanne M, Sung H, et al. Global cancer statistics 2022. CA Cancer J Clin. 2024;74(3): 229-63. doi: https://doi.org/10.3322/caac.21834

Ferlay J, Laversanne M, Ervik M, et al. Cancer incidence and mortality worldwide: GLOBOCAN 2022. Int J Cancer. 2024;154(4):586-99. doi: https://doi.org/10.3322/caac.21834 DOI: https://doi.org/10.3322/caac.21834

Instituto Nacional de Câncer. Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; 2026 [acesso em 28 jul. 2026]. Disponível em: https://ninho.inca.gov.br/jspui/handle/123456789/17914

Carlos CALV, Teixeira KM. Impactos do TFD em pacientes oncológicos: deslocamento, dinâmica familiar e redes de apoio. Serv Soc Soc. 2025;148(1):e-6628437. doi: https://doi.org/10.1590/0101-6628.437 DOI: https://doi.org/10.1590/0101-6628.437

Barros LO, Bezerra IC, Batista RFL, et al. Mortalidade por câncer de mama: tendência no Ceará, Nordeste e Brasil, 2005-2015. Rev Bras Cancerol. 2020;66(1):e-14740. https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2020v66n1.740 DOI: https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2020v66n1.740

Organização Mundial da Saúde. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e problemas relacionados à saúde. São Paulo: Edusp; 2008.

SIM: Sistema de Informação sobre Mortalidade [Internet]. Versão 3.2.1.2. Brasília (DF): DATASUS. [data desconhecida] - [acesso 2025 dez 14]. Disponível em: http://sim.saude.gov.br/default.asp

TABNET [Internet]. Brasília (DF): DATASUS. c2008 – [acesso 2020 maio 28]. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/

Google. Google Colaboratory [Internet]. Mountain View (CA): Google LLC; 2025 [acesso 2026 jul 28]. Disponível em: https://colab.research.google.com/

Conselho Nacional de Saúde (BR). Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Diário Oficial da União. Brasília, DF. 2013 jun 13; Edição 112; Seção 1:59.

Conselho Nacional de Saúde (BR). Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Diário Oficial da União. Brasília, DF. 2016 maio 24; Edição 98; Seção 1:44-46.

Ministério da Saúde (BR). Portaria nº 2.439/GM, de 8 de dezembro de 2005. Institui a Política Nacional de Atenção Oncológica: Promoção, Prevenção, Diagnóstico, Tratamento, Reabilitação e Cuidados Paliativos, a ser implantada em todas as unidades federadas, respeitadas as competências das três esferas de gestão [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 2005 dez 9; Seção 1:80-1. [acesso 2026 ago 4]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2005/prt2439_08_12_2005.html

Ministério da Saúde (BR). Gabinete do Ministro. Portaria nº 874, de 16 de maio de 2013. Institui a Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União. Brasília, DF. 2013 maio 17; Edição 94; Seção 1:129-32.

Silva FA, Trindade ES, Santiago BG, et al. Políticas públicas de saúde para o enfrentamento do câncer no Brasil: análise dos planos estaduais de atenção oncológica. Rev Bras Cancerol. 2024;70(1):e144454. doi: https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2024v70n1.4454 DOI: https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2024v70n1.4454

Berlatto KC, Vogt ET, Peixer IM, et al. Mortalidade por neoplasias malignas dos órgãos digestivos no Brasil (2018-2023): análise epidemiológica e quantificação. Rev CPAQV. 2025;17(1):12. doi: https://doi.org/10.36692/V17N1-05 DOI: https://doi.org/10.36692/V17N1-05

Sheena BS, Hiebert L, Han H, et al. Global, regional, and national burden of hepatitis B, 1990–2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. Lancet Gastroenterol Hepatol. 2022;7(9):796-829. doi: https://doi.org/10.1016/S2468-1253(22)00124-8 DOI: https://doi.org/10.1016/S2215-0366(21)00395-3

Zhao J, Xu L, Sun J, et al. Global trends in incidence, death, burden and risk factors of early-onset cancer from 1990 to 2019. BMJ Oncol. 2023;2:e000049. doi: https://doi.org/10.1136/bmjonc-2023-000049 DOI: https://doi.org/10.1136/bmjonc-2023-000049

Maringe C, Spicer J, Morris M, et al. The impact of the COVID-19 pandemic on cancer deaths due to delays in diagnosis in England, UK: a national, population-based, modelling study. Lancet Oncol. 2020;21(8):1023-34. doi: https://doi.org/10.1016/S1470-2045(20)30388-0 DOI: https://doi.org/10.1016/S1470-2045(20)30388-0

Monteiro MCC, Pantoja REL, Miranda ALA, et al. Impactos da pandemia de COVID-19 no diagnóstico, atendimento e mortalidade de pacientes oncológicos no Brasil: revisão de literatura. RSD. 2021;10(13):e350101321235. doi: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i13.21235 DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i13.21235

Wawrzuta D, Klejdysz J, Pędziwiatr K, et al. Global access to radiotherapy: a geospatial analysis of current disparities and optimal facility placement. Radiother Oncol. 2025;211:111061. doi: https://doi.org/10.1016/j.radonc.2025.111061 DOI: https://doi.org/10.1016/j.radonc.2025.111061

Grover S, Xu MJ, Yeager A, et al. A systematic review of radiotherapy capacity in low- and middle-income countries. Front Oncol. 2015;4:380. doi: https://doi.org/10.3389/fonc.2014.00380 DOI: https://doi.org/10.3389/fonc.2014.00380

Bamodu OA, Tzeng DTW, Kuo KT, et al. Cancer care disparities: overcoming barriers to cancer control in low- and middle-income countries. JCO Glob Oncol. 2024;10:e2300439. doi: https://doi.org/10.1200/GO.23.00439 DOI: https://doi.org/10.1200/GO.23.00439

Casas CPR, Albuquerque RCR, Loureiro RB, et al. Cervical cancer screening in low- and middle-income countries: a systematic review of economic evaluation studies. Clinics (Sao Paulo). 2022;77:100080. doi: https://doi.org/10.1016/j.clinsp.2022.100080 DOI: https://doi.org/10.1016/j.clinsp.2022.100080

Mostafaei A, Sadeghi-Ghyassi F, Kabiri N, et al. Experiences of patients and providers while using telemedicine in cancer care during COVID-19 pandemic: a systematic review and meta-synthesis of qualitative literature. Support Care Cancer. 2022;30(12):10483-94. https://doi.org/10.1007/s00520-022-07415-6 DOI: https://doi.org/10.1007/s00520-022-07415-6

Publicado

2026-08-21

Como Citar

1.
Rocha MVC, Conceição AM da, Silva KC da, Costa L de MC. Panorama Temporal e Geográfico da Mortalidade por Câncer em Alagoas (2001-2022): A Urgência da Descentralização do Cuidado. Rev. Bras. Cancerol. [Internet]. 21º de agosto de 2026 [citado 25º de agosto de 2026];72(4):e-115628. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/5628

Edição

Seção

ARTIGO ORIGINAL