Influência da Raça/Cor da Pele nos Atrasos Assistenciais ao Câncer de Cavidade Oral no Brasil: O Papel Mediador da Geografia e da Gravidade Clínica
DOI:
https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2026v72n3.5630Palavras-chave:
Neoplasias Bucais, Grupos Raciais, Diagnóstico, Tempo para o Tratamento, Carcinoma de Células Escamosas de Cabeça e PescoçoResumo
Introdução: As disparidades sociais, econômicas, culturais e étnico-raciais do Brasil podem ter relação com o intervalo do serviço de saúde para o diagnóstico e tratamento do câncer de cavidade oral. Objetivo: Analisar a relação entre a raça/cor da pele e diferentes intervalos de tempo para o diagnóstico e tratamento do câncer de cavidade oral nos serviços de saúde brasileiros. Método: Pesquisa observacional, de base hospitalar, com 12.421 casos recuperados dos Registros Hospitalares de Câncer Brasileiro. A classificação étnico-racial foi baseada na combinação das categorias de cor e raça empregada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Foram aplicados o teste de soma de postos de Wilcoxon, modelo de regressão de Poisson e análise de mediação causal. Resultados: Os registros recuperados representaram 6.523 (53%) indivíduos brancos e 5.898 (47%) não brancos. Os grupos exibiram heterogeneidade para as variáveis sociodemográficas, clínicas e terapêuticas, sendo homogêneos para os principais fatores de risco da doença. Com diferenças significativas em todos os pontos-chave analisados (p<0,001), os indivíduos não brancos apresentam intervalo do serviço de saúde maior que os brancos (mediana de 71 vs. 57 dias, respectivamente), sendo o efeito direto da raça/cor da pele significativo (p<0,001) mesmo quando mediado pela Região de residência ou estadiamento clínico da doença. Conclusão: A raça/cor da pele exerce um impacto determinante no tempo de espera nos serviços de saúde brasileiros, onde indivíduos não brancos esperam, em média, 16,2 dias a mais do que brancos.
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