Tratamento Adjuvante do Tumor do Estroma Gastrointestinal com Mesilato de Imatinibe no Sistema Único de Saúde: Estudo Ecológico Descritivo de Dez Anos de Incorporação

Autores

  • Felipe Mendes Delpino Instituto Nacional de Câncer (INCA), Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev), Divisão de Avaliação de Tecnologias em Saúde. Rio de Janeiro (RJ), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-3562-3246
  • Laura Augusta Barufaldi Instituto Nacional de Câncer (INCA), Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev), Divisão de Avaliação de Tecnologias em Saúde. Rio de Janeiro (RJ), Brasil. https://orcid.org/0000-0001-9040-4399
  • Natália Dias Brandão Instituto Nacional de Câncer (INCA), Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev), Divisão de Avaliação de Tecnologias em Saúde. Rio de Janeiro (RJ), Brasil. https://orcid.org/0000-0003-2023-7032
  • Mirian Carvalho de Souza Instituto Nacional de Câncer (INCA), Coordenação de Prevenção e Vigilância (Conprev), Divisão de Avaliação de Tecnologias em Saúde. Rio de Janeiro (RJ), Brasil. https://orcid.org/0000-0001-7516-1974

DOI:

https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2026v72n4.5783

Palavras-chave:

Tumores do Estroma Gastrointestinal/terapia, Mesilato de Imatinib, Quimioterapia Adjuvante/métodos, Sistema Único de Saúde

Resumo

Introdução: O tumor estromal gastrointestinal é uma neoplasia mesenquimal do trato digestivo com risco de recorrência pós-operatória, para a qual o imatinibe adjuvante demonstrou benefício clínico. No SUS, esse medicamento foi incorporado em 2014. Objetivo: Descrever uma década de uso de imatinibe adjuvante para tumor estromal gastrointestinal no SUS, caracterizando o perfil dos usuários, a distribuição geográfica e os padrões de utilização. Método: Estudo ecológico descritivo com dados secundários de autorizações de procedimentos ambulatoriais de alta complexidade, de janeiro de 2014 a dezembro de 2024, vinculados a códigos diagnósticos do sistema digestivo e a esquemas terapêuticos compatíveis com imatinibe adjuvante. Resultados: Foram identificados 1.602 tratamentos iniciais, com aumento anual progressivo. Houve leve predomínio do sexo feminino (52,9%) e concentração entre 50 e 69 anos (56,2%). Os tratamentos se concentraram nas Regiões Sudeste (42,6%) e Sul (23,8%); entre a população com 50 anos ou mais, as densidades de usuários mais altas foram observadas no Norte e Centro-Oeste. O estômago foi o sítio primário mais frequente (50,9%) e a maioria dos tratamentos foi eletiva (99,1%). O tempo médio entre solicitação e autorização para casos incidentes diminuiu de 17,5 dias em 2014 para 7,8 dias em 2024. Os achados devem ser interpretados considerando as limitações inerentes aos dados administrativos, que não permitem confirmação individual da indicação adjuvante, da ressecção cirúrgica ou de desfechos clínicos. Conclusão: O uso de imatinibe adjuvante no SUS aumentou de forma constante, com tempos de autorização mais curtos e heterogeneidade territorial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Søreide K, Sandvik OM, Søreide JA, et al. Global epidemiology of gastrointestinal stromal tumours (GIST): a systematic review of population-based cohort studies. Cancer Epidemiol. 2016;40:39-46. doi: https://doi.org/10.1016/j.canep.2015.10.031 DOI: https://doi.org/10.1016/j.canep.2015.10.031

Corless CL, Barnett CM, Heinrich MC. Gastrointestinal stromal tumours: origin and molecular oncology. Nat Rev Cancer. 2011;11(12):865-78. doi: https://doi.org/10.1038/nrc3143 DOI: https://doi.org/10.1038/nrc3143

Miettinen M, Lasota J. Gastrointestinal stromal tumors: pathology and prognosis at different sites. Semin Diagn Pathol. 2006;23(2):70-83. doi: https://doi.org/10.1053/j.semdp.2006.09.001 DOI: https://doi.org/10.1053/j.semdp.2006.09.001

Demetri GD, von Mehren M, Blanke CD, et al. Efficacy and safety of imatinib mesylate in advanced gastrointestinal stromal tumors. N Engl J Med. 2002;347(7):472-80. doi: https://doi.org/10.1056/NEJMoa020461 DOI: https://doi.org/10.1056/NEJMoa020461

Joensuu H, Eriksson M, Hall KS, et al. One vs three years of adjuvant imatinib for operable gastrointestinal stromal tumor: a randomized trial. JAMA. 2012;307(12):1265-72. doi: https://doi.org/10.1001/jama.2012.347 DOI: https://doi.org/10.1001/jama.2012.347

Joensuu H, Eriksson M, Sundby Hall K, et al. Survival outcomes associated with 3 years vs 1 year of adjuvant imatinib for patients with high-risk gastrointestinal stromal tumors: an analysis of a randomized clinical trial after 10-year follow-up. JAMA Oncol. 2020;6(8):1241-6. doi: https://doi.org/10.1001/jamaoncol.2020.2091 DOI: https://doi.org/10.1001/jamaoncol.2020.2091

Ministério da Saúde (BR). Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. Mesilato de imatinibe para quimioterapia adjuvante do tumor do estroma gastrointestinal: relatório de recomendação nº 117 [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2014 [acesso 2025 out 23]. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/incorporados/imatinibe-gist-final.pdf

Bernal JL, Cummins S, Gasparrini A. Interrupted time series regression for the evaluation of public health interventions: a tutorial. Int J Epidemiol. 2017;46(1):348-55. doi: https://doi.org/10.1093/ije/dyw098 DOI: https://doi.org/10.1093/ije/dyw098

Fonseca BP, Albuquerque PC, Saldanha RF, et al. Geographic accessibility to cancer treatment in Brazil: a network analysis. Lancet Reg Health Am. 2022;7:100153. doi: https://doi.org/10.1016/j.lana.2021.100153 DOI: https://doi.org/10.1016/j.lana.2021.100153

Paim J, Travassos C, Almeida C, et al. The Brazilian health system: history, advances, and challenges. Lancet. 2011;377(9779):1778-97. doi: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(11)60054-8 DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(11)60054-8

SIA: Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS [Internet]. Brasília (DF): DATASUS. [data desconhecida] – [acesso 2025 jul 1]. Disponível em: http://sia.datasus.gov.br/principal/index.php

Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria nº 743, de 21 de agosto de 2014. Inclui procedimento na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses/Próteses e Materiais Especiais do SUS [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 2014 ago 27 [acesso 2026 ago 26]; Edição 164; Seção 1:92. Disponível em: https://www.saude.mt.gov.br/storage/old/files/0743-[10297-240914-SES-MT].pdf

Organização Mundial da Saúde. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e problemas relacionados à saúde. São Paulo: Edusp; 2008.

R Core Team. R: a language and environment for statistical computing [Internet]. Vienna: R Foundation for Statistical Computing; 2024 [acesso 2025 out 23]. Disponível em: https://www.R-project.org/

Saldanha RF, Bastos RR, Barcellos C. Microdatasus: a package for downloading and preprocessing microdata from Brazilian Health Informatics Department (DATASUS). Cad Saude Publica. 2019;35(9):e00032419. doi: https://doi.org/10.1590/0102-311X00032419 DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311x00032419

Conselho Nacional de Saúde (BR). Resolução n° 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais cujos procedimentos metodológicos envolvam a utilização de dados diretamente obtidos com os participantes ou de informações identificáveis ou que possam acarretar riscos maiores do que os existentes na vida cotidiana, na forma definida nesta Resolução [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 2016 maio 24 [acesso 2026 maio 24]; Edição 98; Seção 1:44. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2016/res0510_07_04_2016.html

Khan J, Ullah A, Waheed A, et al. Gastrointestinal stromal tumors (GIST): a population-based study using the SEER database, including management and recent advances in targeted therapy. Cancers (Basel). 2022;14(15):3689. doi: https://doi.org/10.3390/cancers14153689 DOI: https://doi.org/10.3390/cancers14153689

Alvarez CS, Piazuelo MB, Fleitas-Kanonnikoff T, et al. Incidence and survival outcomes of gastrointestinal stromal tumors. JAMA Netw Open. 2024;7(8):e2428828. doi: https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2024.28828 DOI: https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2024.28828

Abdalla TSA, Pieper L, Kist M, et al. Gastrointestinal stromal tumors of the upper GI tract: population-based analysis of epidemiology, treatment and outcome based on data from the German Clinical Cancer Registry Group. J Cancer Res Clin Oncol. 2023;149(10):7461-9. doi: https://doi.org/10.1007/s00432-023-04690-6 DOI: https://doi.org/10.1007/s00432-023-04690-6

Sousa EL, Rodrigues FCA, Saraiva JGC, et al. Geographic disparities and temporal trends regarding access to cancer treatment: a spatial analysis, Brazil, 2015-2022. Epidemiol Serv Saude. 2026;35:e20240725. doi: https://doi.org/10.1590/S2237-96222026v35e20240725.en DOI: https://doi.org/10.1590/s2237-96222026v35e20240725.a

Ministério da Saúde (BR). Portaria nº 494, de 18 de junho de 2014. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Tumor do Estroma Gastrointestinal [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 2014 jun 19 [acesso 2025 out 23]; Edição 115; Seção 1:89 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2014/prt0494_18_06_2014.html

Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Portaria nº 27, de 4 de julho de 2014. Torna pública a decisão de incorporar o mesilato de imatinibe para quimioterapia adjuvante do tumor do estroma gastrointestinal no Sistema Único de Saúde [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 2014 jul 7 [acesso 2025 out 23]; Edição 127; Seção 1:30. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sctie/2014/prt0027_04_07_2014.html

Vieira S, Carneiro Capucho H. Monitoramento pós-incorporação no SUS e pós-comercialização do trastuzumabe. JAFF. 2023;1(Supl 2):159. doi: https://doi.org/10.22563/2525-7323.2023.v1.s2.p.159 DOI: https://doi.org/10.22563/2525-7323.2023.v1.s2.p.159

Gonçalves DS, Santos AMR, Costa SCV, et al. Overall survival and associated factors in women with metastatic breast cancer treated with trastuzumab at a public referral institution. Rev Bras Epidemiol. 2023;26:e230045. doi: https://doi.org/10.1590/1980-549720230045 DOI: https://doi.org/10.1590/1980-549720230045

Nardi EP, Teixeira RR, Melo D. Oncology drugs are underrepresented in the incorporation process in Brazil. Int J Technol Assess Health Care. 2025;41(S1):S106-7. doi: https://doi.org/10.1017/S0266462325102043 DOI: https://doi.org/10.1017/S0266462325102043

Corless CL, Ballman KV, Antonescu CR, et al. Pathologic and molecular features correlate with long-term outcome after adjuvant therapy of resected primary GI stromal tumor: the ACOSOG Z9001 trial. J Clin Oncol. 2014;32(15):1563-70. doi: https://doi.org/10.1200/JCO.2013.51.2046 DOI: https://doi.org/10.1200/JCO.2013.51.2046

Joensuu H, Eriksson M, Sundby Hall K, et al. Adjuvant imatinib for high-risk GI stromal tumor: analysis of a randomized trial. J Clin Oncol. 2016;34(3):244-50. doi: https://doi.org/10.1200/JCO.2015.62.9170 DOI: https://doi.org/10.1200/JCO.2015.62.9170

Publicado

2026-09-21

Como Citar

1.
Delpino FM, Barufaldi LA, Brandão ND, Souza MC de. Tratamento Adjuvante do Tumor do Estroma Gastrointestinal com Mesilato de Imatinibe no Sistema Único de Saúde: Estudo Ecológico Descritivo de Dez Anos de Incorporação. Rev. Bras. Cancerol. [Internet]. 21º de setembro de 2026 [citado 22º de setembro de 2026];72(4):e-205783. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/5783

Edição

Seção

ARTIGO ORIGINAL

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)